Conflito EUA-Israel-Irã atinge 13º dia com violência crescente e impacto no petróleo
Guerra no Oriente Médio chega ao 13º dia com violência e petróleo a US$ 100

Guerra no Oriente Médio atinge 13º dia com escalada de violência e foco no setor petrolífero

Um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que "na primeira hora a guerra já tinha acabado", o conflito iniciado por forças americanas e israelenses contra o Irã chegou ao seu décimo terceiro dia nesta quinta-feira (12) com um aumento significativo da violência e a abertura de novas frentes de ataque. A situação contraria as afirmações otimistas do líder norte-americano, revelando um cenário cada vez mais complexo e assimétrico.

Irã intensifica pressão econômica através do petróleo

Sem condições de vencer militarmente, o Irã passou a adotar uma estratégia focada em gerar instabilidade no mercado global de energia. Teerã intensificou ações contra o setor petrolífero, numa tentativa clara de pressionar economicamente seus adversários. Como resultado direto dessa ofensiva, o preço do barril de petróleo Brent voltou a ultrapassar a marca psicológica de US$ 100, com autoridades iranianas alertando para a possibilidade de valores chegarem a US$ 200.

Ataques contra navios no golfo Pérsico continuaram nesta quinta-feira, após pelo menos cinco embarcações terem sido atingidas no dia anterior. Dois petroleiros ainda estavam em chamas perto do Iraque quando outra embarcação foi atacada pela Guarda Revolucionária iraniana nas proximidades do estratégico estreito de Ormuz. A interrupção do tráfego marítimo nessa região, responsável por aproximadamente um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito, tornou-se um dos efeitos mais graves e preocupantes do conflito em curso.

Expansão dos ataques a instalações energéticas

Além dos ataques diretos a navios, o Irã voltou a atingir instalações energéticas em países aliados dos Estados Unidos no golfo Pérsico:

  • No Bahrein, instalações petrolíferas foram atacadas
  • Em Omã, um incêndio de grandes proporções foi registrado no porto de Salalah
  • No Iraque, o terminal petrolífero de Basra foi atingido por drones, interrompendo o escoamento da produção

Essa estratégia de dispersão de ataques com drones e mísseis pela região demonstra a capacidade iraniana de ampliar o conflito para além das fronteiras diretas, mesmo sabendo que também pode ser prejudicado economicamente, já que a China representa praticamente o único grande comprador de seu petróleo.

Resposta militar dos Estados Unidos e Israel

Do lado americano, as operações militares passaram a focar na destruição da infraestrutura aérea do Irã. Bombardeiros B-1B posicionados no Reino Unido foram vistos sendo carregados com bombas de penetração capazes de destruir estruturas subterrâneas, incluindo bunkers. Vídeos divulgados pelo Comando Central das Forças Armadas dos EUA indicam que um dos objetivos prioritários é eliminar o que resta da força aérea iraniana, incluindo caças F-14 adquiridos ainda na década de 1970.

Israel, por sua vez, lançou uma nova onda de ataques no Líbano, atingindo áreas no sul de Beirute e cidades próximas à zona de segurança entre o território israelense e o rio Litani. A ofensiva foi apresentada como resposta ao maior ataque já realizado pelo Hezbollah desde o início da guerra, quando mais de 100 foguetes foram lançados contra o norte de Israel em uma ação coordenada entre o grupo libanês e o Irã.

Crescente impacto humanitário

Enquanto a guerra se prolonga, o custo humano cresce rapidamente em toda a região:

  • No Irã, mais de 1.300 pessoas já morreram e aproximadamente 3,2 milhões dos 93 milhões de habitantes tiveram de deixar suas casas
  • No Líbano, o número de mortos ultrapassa 630, com cerca de 810 mil deslocados
  • Em Israel, o balanço registra 14 mortos e aproximadamente 3.400 deslocados internos
  • Os Estados Unidos confirmaram a morte de sete militares e cerca de 140 feridos desde o início do conflito

Também há vítimas em países do golfo atingidos por ataques iranianos, ampliando ainda mais o alcance humanitário desta crise.

Declaração de Trump contrasta com realidade no terreno

Apesar da afirmação do presidente americano na noite de quarta-feira de que "Nós vencemos. Deixe-me dizer uma coisa: nós vencemos. Nunca queremos dizer que ganhamos antes da hora, mas nós ganhamos. Na primeira hora, a guerra já tinha acabado", a realidade no terreno mostra um conflito que se intensifica a cada dia. A destruição significativa da capacidade militar iraniana não impediu que Teerã desenvolvesse estratégias alternativas de pressão econômica e expansão do conflito para novas frentes.

O cenário atual coloca em dúvida não apenas as declarações otimistas de Trump, mas também a capacidade de qualquer lado alcançar uma vitória clara e definitiva no curto prazo. Com o preço do petróleo em alta, a infraestrutura energética regional sob ataque e o custo humano crescendo exponencialmente, a guerra iniciada em 28 de fevereiro parece longe de encontrar uma resolução rápida.