Guerra no Irã: Complexidade e Estratégias de Trump em Jogo no Oriente Médio
A ideia de que Donald Trump é um líder imprevidente e burro é frequentemente propagada por aqueles que deveriam ter responsabilidade informacional. No entanto, a guerra no Irã apresenta complexidades profundas, envolvendo aspectos sensíveis como o preço do petróleo e a dificuldade de vitória exclusiva por bombardeios aéreos, apesar dos enormes investimentos bélicos do regime teocrático.
Estratégias de "Guerra Litorânea" e Desafios Marítimos
Uma expressão que ganha destaque entre especialistas é a "guerra litorânea", referindo-se a operações localizadas em áreas marítimas como o Estreito de Ormuz. Essa abordagem poderia ser aplicada na ilha de Kharg, o grande terminal petrolífero iraniano, visando apenas instalações militares para evitar pânico no mercado e facilitar a normalização pós-guerra. É crucial notar que o petróleo iraniano é destinado principalmente à China e Índia, embora as reações globais sejam interconectadas.
O assunto ganhou impulso com o envio do navio de assalto anfíbio Tripoli, com 2,5 mil fuzileiros navais americanos para o Oriente Médio. Sua especialidade em operações marítimas e desembarques levanta questões sobre possíveis movimentos terrestres, que representariam uma tremenda escalada e risco político para Trump, dada a rejeição pública americana a operações por terra após traumas no Afeganistão e Iraque.
Resiliência do Regime Iraniano e Pressões Regionais
As experiências no Afeganistão e Iraque demonstram os limites do poder militar, mesmo da maior superpotência, quando o povo não deseja mudanças ou apoia regimes fanáticos. No Irã, protestos recentes mostraram rejeição ao regime, mas sem força suficiente para abalá-lo estruturalmente. Apenas o fim de um regime dedicado a proclamar "Morte à América" e buscar armas nucleares seria uma vitória "limpa".
O regime iraniano, apesar de impotente diante da superioridade americana e israelense, mantém capacidade de intimidar a população, infernizar vizinhos e fazer manifestações de força. Líderes sobreviventes, como visto em Teerã, protegem-se com massas civis para evitar ataques diretos que causariam vítimas inaceitáveis para padrões ocidentais. Apesar de perdas devastadoras, incluindo ferimentos graves em figuras como Mojtaba Khamenei, o regime mantém unidade militar e pode sacudir emirados do Golfo com drones, ameaçando seus modelos de negócios.
Dilemas Regionais e Pressões sobre Trump
Enquanto o príncipe saudita Mohammad Bin Salman defende "cortar a cabeça da serpente", grupos como o Hamas apoiam ataques contra alvos americanos e israelenses, mas pedem suspensão de hostilidades contra países do Golfo, revelando dilemas. No Líbano, forças contra o Hezbollah não podem parecer aliadas de Israel, mas pressionam por soluções negociadas, complicadas pela incapacidade de desarmar a organização xiita.
Trump enfrenta desafios imensos: evitar que o regime iraniano saia ileso, prevenir uma crise do petróleo, conter a propagação do conflito, e gerenciar discordâncias com Israel, tudo enquanto busca impedir o acesso iraniano a armas nucleares e manter maioria republicana no Congresso. Como disse Kellyanne Conway, "Donald Trump é uma pessoa complicada com ideias simples". A questão atual é qual solução simples ele dará a uma guerra muito complicada.
