Europa rejeita apelo de Trump por ação militar no Estreito de Ormuz: 'Não é nossa guerra'
Europa rejeita pedido de Trump por ação militar no Estreito de Ormuz

Europa rejeita apelo de Trump por ação militar no Estreito de Ormuz: 'Não é nossa guerra'

Países europeus rejeitaram categoricamente os pedidos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para participarem de uma ação militar destinada a reabrir o Estreito de Ormuz, vital rota marítima que o Irã fechou desde o início do conflito no Oriente Médio. A medida iraniana fez disparar os preços do petróleo em escala global, criando uma crise energética internacional.

Trump tem pressionado aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a contribuírem com a segurança da rota estratégica, chegando a sugerir possíveis consequências para a aliança em caso de recusa. No entanto, a postura agressiva do mandatário norte-americano não convenceu os principais parceiros europeus, que demonstraram unidade na rejeição ao envolvimento militar direto.

Posições firmes dos líderes europeus

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, foi enfático ao afirmar que o país "não será arrastado para uma guerra mais ampla" contra o Irã, embora mantenha diálogo com aliados sobre formas diplomáticas de garantir a reabertura do estreito. A posição britânica reflete o sentimento geral entre as nações europeias, que temem uma escalada perigosa do conflito.

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O chanceler alemão, Friedrich Merz, foi ainda mais direto em suas declarações aos parlamentares alemães: "Washington não nos consultou e não disse que a assistência europeia era necessária. Teríamos aconselhado contra prosseguir com tal ação da forma como foi feita". Merz colocou em dúvida a estratégia por trás da ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel, destacando a ausência de um plano convincente para o sucesso da operação.

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, sintetizou a posição europeia com uma frase que ecoou em várias capitais do continente: "Esta não é a nossa guerra". A França endossou essa visão, com o presidente Emmanuel Macron afirmando que "nunca participaria de operações para libertar o estreito" no contexto atual de tensões.

Preocupações estratégicas e rejeição a pressões

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, destacou que os países do bloco não têm interesse em ampliar sua atuação militar nem em expor tropas no estreito. Segundo ela, os europeus não foram adequadamente consultados sobre os objetivos da ofensiva liderada pelos Estados Unidos e não veem clareza na estratégia proposta por Washington.

Na Espanha, a reação foi particularmente forte diante das ameaças de Trump de cortar relações comerciais caso o país europeu não permitisse que bases operadas em conjunto fossem usadas para a guerra. O primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou os ataques contra o Irã como imprudentes e ilegais, enquanto a vice-primeira-ministra Maria Jesus Montero declarou: "Certamente não seremos vassalos de ninguém, não toleraremos nenhuma ameaça e defenderemos nossos valores".

O ministro das Relações Exteriores holandês, Tom Berendsen, acrescentou cautela ao debate, afirmando que qualquer missão no Golfo Pérsico exigiria tempo para planejamento cuidadoso: "Essas são decisões importantes, e qualquer ação deve ser viável e impactante. Neste momento, nenhuma decisão está em cima da mesa".

Resposta de Trump e abertura iraniana

Trump reagiu com irritação à recusa europeia, classificando-a na terça-feira como "um erro muito estúpido". Em declarações no Salão Oval da Casa Branca, o presidente norte-americano afirmou: "Todos concordam conosco, mas não querem ajudar. E nós, como os Estados Unidos, precisamos nos lembrar disso, porque achamos bastante chocante".

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã está aberta a negociações com países que desejam acessar a passagem com segurança, sugerindo uma possível via diplomática para resolver o impasse.

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Impacto do fechamento do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz, rota fundamental para o comércio global de petróleo, foi parcialmente bloqueado pelo Irã como retaliação ao ataque conjunto promovido por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. Com a medida, Teerã visa forçar a comunidade internacional a exigir o fim dos ataques da coalizão em troca da reabertura do canal.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, foi categórico: "O Estreito de Ormuz não pode voltar a ser o mesmo de antes e retornar às suas condições anteriores, já que não há segurança alguma", responsabilizando diretamente a ofensiva de Washington e Tel Aviv pelo cenário atual.

Aproximadamente 14 milhões de barris de petróleo passam diariamente através desta rota estratégica localizada no Golfo Pérsico. O congestionamento provocado pelo bloqueio tem causado incertezas significativas no valor médio da commodity, com o barril Brent, referência internacional do preço do petróleo, chegando a ser negociado acima de US$ 100.

A Agência Internacional de Energia definiu a obstrução como a maior interrupção na oferta da história do mercado global de petróleo, destacando a gravidade da crise energética em curso e seus efeitos em cascata sobre economias em todo o mundo.