EUA retiram militares da maior base no Catar em meio a tensão com Irã
EUA retiram militares de base no Catar por tensão com Irã

O governo dos Estados Unidos determinou nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, uma retirada parcial de militares de sua principal base no Oriente Médio. A medida é uma resposta preventiva ao aumento das tensões com o Irã e tem como objetivo proteger o pessoal americano diante de ameaças de retaliação.

Base estratégica no centro da crise

A movimentação afeta diretamente a base aérea de Al Udeid, localizada no Catar, a aproximadamente 190 quilômetros ao sul do território iraniano. Confirmada por autoridades norte-americanas e pelo governo do Catar, a ordem sinaliza uma preocupação concreta com a segurança.

A instalação é o principal centro de operações aéreas dos EUA na região, abrigando cerca de 10 mil militares e civis. Ela funciona como um hub para caças, drones e aviões de reabastecimento, tendo sido crucial em campanhas no Iraque e na Síria e na evacuação do Afeganistão em 2021.

O que motivou a decisão preventiva

Fontes diplomáticas indicam que parte do efetivo recebeu ordens para deixar Al Udeid até a noite de quarta-feira. O motivo imediato são os alertas públicos emitidos por autoridades iranianas, que declararam bases americanas como "alvos legítimos" caso Washington intensifique sua postura contra Teerã.

O ministro da Defesa do Irã e outros altos funcionários reiteraram que instalações de países que apoiem ações americanas também estariam em risco. Este cenário levou a uma ação de precaução por parte do comando militar dos EUA.

Contexto de escalada e posicionamento

A retirada ocorre em um momento de discursos inflamados. O presidente americano, Donald Trump, condicionou uma ação militar direta à confirmação de mortes de manifestantes pelo governo iraniano, prometendo que "tiranos pagarão um preço alto". Ele também anunciou tarifas adicionais para países que mantêm negócios com o Irã.

Não é a primeira vez que Al Udeid é alvo. Em junho do ano passado, a base foi atingida por mísseis iranianos em retaliação a bombardeios americanos a instalações nucleares do Irã, em um conflito que durou 12 dias, sem registrar feridos na ocasião.

Apesar da retirada parcial, os Estados Unidos mantêm uma presença robusta na região. Estima-se que haja cerca de 30 mil soldados distribuídos pelo Oriente Médio e Golfo Pérsico, além de um significativo poder naval, como parte de uma estratégia de dissuasão.

O governo do Catar, por meio de seu Gabinete de Imprensa Internacional, afirmou que está implementando todas as medidas necessárias para proteger a segurança de seus cidadãos e reforçar infraestruturas críticas, reconhecendo explicitamente o contexto de tensões regionais.