EUA negam planos de ataque à indústria petrolífera iraniana após bombardeios em Teerã
EUA negam ataque à indústria petrolífera iraniana após bombardeios

Autoridades americanas descartam ofensivas contra setor energético iraniano

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, declarou categoricamente neste domingo, 8 de março de 2026, que não existem planos para atacar a indústria petrolífera iraniana. A afirmação foi feita durante entrevista ao canal CNN, em meio a tensões crescentes no Oriente Médio após uma série de bombardeios no sábado contra depósitos de petróleo e um centro logístico em Teerã e arredores.

Ataques provocam incêndios e interrompem distribuição

Segundo Wright, os ataques que causaram incêndios de grandes proporções foram realizados pelo exército de Israel. O secretário americano reforçou que os Estados Unidos não estão envolvidos em ações contra infraestruturas do setor petroleiro na região. "Não há planos para atacar a indústria petrolífera iraniana, sua indústria de gás natural, nem qualquer elemento de sua indústria de energia", afirmou o representante do governo Trump.

Do lado iraniano, Keramat Veyskaram, presidente da empresa responsável pela distribuição de combustíveis, havia comunicado anteriormente que o ataque foi realizado de forma conjunta entre Israel e os Estados Unidos. O executivo anunciou que quatro pessoas morreram nos bombardeios, incluindo dois motoristas de caminhão-tanque. Após os ataques, a distribuição de combustível em Teerã foi interrompida "temporariamente", conforme anunciou o governador Mohmmad Sadegh Motamedi, citado pela agência de notícias Irna.

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Estreito de Ormuz paralisado e preços em disparada

O conflito no Oriente Médio praticamente paralisou o transporte marítimo pelo estratégico Estreito de Ormuz, via utilizada por impressionantes 20% da produção mundial de petróleo. Os mercados de energia reagiram imediatamente aos eventos, com os preços do barril de petróleo registrando aumentos significativos:

  • O barril de West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu 12% somente na sexta-feira e acumulou alta de 36% ao longo da semana
  • Os contratos futuros do petróleo Brent com vencimento para maio saltaram de 72,48 dólares por barril em 27 de fevereiro para 92,69 dólares na sexta-feira, 6 de março
  • Esta diferença equivale a uma disparada de 28% em apenas uma semana

Nos Estados Unidos, os impactos já são sentidos pelos consumidores. A seguradora americana de automóveis AAA informou que o preço médio da gasolina subiu quase 16% em uma semana, enquanto o diesel avançou 22%. De acordo com o site GasBuddy, o diesel não estava tão caro desde fevereiro de 2023.

Previsões otimistas e medidas de proteção

Apesar das turbulências, Chris Wright mantém previsões otimistas. "Os preços não devem subir muito mais porque o mundo está muito bem abastecido de petróleo", afirmou ao canal CBS. "Não há escassez de energia no hemisfério ocidental", acrescentou o secretário de Energia.

Wright também abordou a situação no Estreito de Ormuz, revelando que o governo dos Estados Unidos colabora atualmente com armadores que desejam retirar seus petroleiros do Golfo Pérsico. "Em um primeiro momento, os navios provavelmente estarão sob proteção militar americana ao transitar pelo Estreito de Ormuz", explicou. O secretário prevê a retomada do tráfego normal "em um futuro relativamente próximo".

Contexto geopolítico e medidas financeiras

O Irã representa aproximadamente 4% da produção mundial de petróleo bruto, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA). Embora o petróleo iraniano seja objeto de sanções internacionais, parte dele continua sendo exportada, principalmente para a China.

Paralelamente, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou na sexta-feira que os Estados Unidos poderiam prorrogar a suspensão temporária das sanções ao petróleo russo para aliviar as pressões do mercado. Esta medida ocorre após a concessão de uma autorização inicial à Índia para adquirir petróleo bruto de Moscou.

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Também na sexta-feira, a Corporação Financeira de Desenvolvimento (DFC) dos Estados Unidos anunciou o estabelecimento de um mecanismo de resseguro para facilitar a cobertura dos riscos relacionados ao trânsito pelo Estreito de Ormuz, no valor de até 20 bilhões de dólares.

Análise da situação e perspectivas

Chris Wright classificou as reações do mercado como emocionais. "O que estamos vendo é uma reação emocional e temores de que esta guerra dure muito tempo", analisou. "Esta não é uma guerra de longo prazo", reiterou o secretário de Energia, buscando acalmar os ânimos nos mercados internacionais.

Os preços nos postos de combustíveis representam um tema sensível para os eleitores americanos, especialmente em um país onde o automóvel desempenha papel fundamental no cotidiano. Com a aproximação das eleições de meio de mandato de novembro, esta questão pode adquirir contornos políticos ainda mais relevantes nos próximos meses.