Conflito entre Paquistão e Afeganistão Intensifica-se com Ataques Aéreos e Vítimas Civis
Nesta sexta-feira (13), o governo do Talibã no Afeganistão acusou formalmente o Paquistão de realizar ataques aéreos que atingiram casas de civis durante a madrugada, resultando em mortes e feridos. Segundo fontes afegãs, pelo menos seis civis perderam a vida e mais de uma dúzia ficaram feridos nos bombardeios, que ocorreram em Cabul e outras regiões do país. O Paquistão, por sua vez, negou veementemente ter como alvo a população civil, afirmando que suas operações militares visam exclusivamente esconderijos de militantes.
Acusações e Negativas em Meio a Combates que Entram na Terceira Semana
Os combates entre os dois países vizinhos já se estendem pela terceira semana consecutiva, marcando um dos períodos mais tensos dos últimos anos. Zabihullah Mujahid, porta-voz do governo afegão, declarou que aeronaves paquistanesas também atingiram depósitos de combustível da companhia aérea privada Kam Air, localizados próximos ao aeroporto de Kandahar, no sul do Afeganistão. "Essa empresa fornece combustível tanto para companhias aéreas civis quanto para aeronaves das Nações Unidas", destacou Mujahid em uma publicação na rede social X.
Em resposta, o Ministério da Informação do Paquistão confirmou que as Forças Armadas realizaram "ataques aéreos bem-sucedidos dentro do Afeganistão" como parte de uma operação em andamento. O governo paquistanês alegou que os bombardeios destruíram quatro supostos esconderijos de militantes e sua infraestrutura de apoio, reiterando que nenhum civil foi intencionalmente alvejado.
Vítimas Civis e Ataques Retaliatórios Agravam a Crise
As consequências humanitárias do conflito são cada vez mais evidentes. Khalid Zadran, porta-voz da polícia de Cabul, informou que pelo menos quatro civis, incluindo crianças, morreram na capital afegã, com outras quinze pessoas feridas. Além disso, o Departamento de Informação e Cultura da província de Nangarhar relatou que um projétil de morteiro paquistanês matou uma mulher e uma criança. O número total de vítimas em todo o Afeganistão ainda não foi totalmente apurado, mas a situação é descrita como grave.
Em retaliação, o Ministério da Defesa do Afeganistão afirmou ter respondido aos ataques paquistaneses atingindo instalações militares no distrito de Kohat, causando grandes perdas. Khalil Hamraz, porta-voz da Direção Geral de Inteligência do Afeganistão, postou no X que dois drones foram utilizados para atacar uma instalação militar próxima a Islamabad. Contudo, a polícia paquistanesa contestou, alegando que dois drones rudimentares foram detectados e derrubados sem causar danos significativos.
Origens do Conflito e Preocupações Regionais
A disputa atual tem raízes profundas na convicção do Paquistão de que o governo do Talibã no Afeganistão abriga grupos militantes, como o Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), que realizam ataques em território paquistanês. Islamabad também suspeita que Cabul mantenha alianças com a Índia, rival histórica do Paquistão. O Talibã nega categoricamente fornecer abrigo a esses grupos, mas os ataques recíprocos têm se intensificado desde o fim de fevereiro, quando o Afeganistão alegou ter respondido a bombardeios paquistaneses na fronteira.
Attaullah Tarar, ministro da Informação do Paquistão, afirmou nesta sexta-feira que 663 talibãs afegãos foram mortos desde o início dos combates, embora Cabul não tenha comentado imediatamente sobre essa alegação. A situação aumenta as preocupações sobre a estabilidade regional, especialmente em um contexto onde a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã continua sem perspectiva de resolução, gerando incertezas geopolíticas significativas.
Esforços Diplomáticos e Perspectivas de Paz
Diante da escalada, a comunidade internacional tem feito apelos por moderação, mas com pouco efeito prático até o momento. Na quinta-feira (12), o enviado especial da China, Yue Xiaoyong, chegou a Islamabad para conversas com seu homólogo paquistanês, Mohammad Sadiq, após uma visita a Cabul. Sadiq relatou que ambos discutiram as ameaças representadas por grupos terroristas e concordaram sobre a necessidade de esforços coletivos para garantir paz e estabilidade duradouras.
Um cessar-fogo mediado pelo Catar conseguiu interromper os combates mais intensos em outubro, porém, várias rodadas de negociações de paz realizadas na Turquia em novembro não resultaram em um acordo permanente. O Paquistão já declarou que suas operações militares continuarão até que Cabul tome "medidas verificáveis" para conter o TTP e outros militantes que operam a partir do território afegão. Enquanto isso, ambos os lados afirmam ter infligido grandes perdas ao adversário, em um confronto que se tornou o mais mortal entre os dois países em anos.



