Chanceler iraniano confirma que líder supremo está vivo após ataques coordenados
O ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou à NBC News neste sábado, 28 de fevereiro de 2026, que o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, está vivo "até onde sei". A declaração ocorre após ataques aéreos coordenados dos Estados Unidos e Israel contra alvos no território iraniano, que teriam visado especificamente o líder religioso e outras figuras de alto escalão do regime.
Ataques direcionados e retaliação imediata
Segundo informações da televisão estatal israelense KAN, que citou fontes governamentais, Khamenei e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian foram alvos dos ataques aéreos realizados neste sábado. Uma fonte com conhecimento do assunto revelou à agência Reuters que o líder supremo não estava em Teerã no momento dos ataques, tendo sido transferido para um local seguro previamente.
Os ataques também teriam mirado outras importantes figuras do regime, incluindo:
- Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Sayyid Abdolrahim Mousavi
- Secretário do recém-criado Conselho de Defesa do Irã, Ali Shamkhani
- Secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani
O ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e um comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, foram mortos durante os ataques, conforme fontes ouvidas pela Reuters.
Justificativas e resposta iraniana
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, classificou o ataque como "preventivo", ordenado para "evitar ameaças" à segurança regional. O presidente americano Donald Trump confirmou a operação, afirmando que o objetivo é defender o povo americano e garantir "que o Irã não terá uma arma nuclear".
Em resposta imediata, o Irã lançou um ataque contra instalações militares americanas no Bahrein, Kuwait e Catar. O regime também disparou mísseis e drones contra Israel, embora ainda não haja informações detalhadas sobre danos causados.
Araghchi esclareceu que a retaliação iraniana se concentra em bases americanas no Oriente Médio, não em "americanos em seu próprio território". O chanceler afirmou: "Foram os EUA e Israel que começaram essa agressão. Portanto, não há limites para a nossa autodefesa, mas assim que a agressão cessar, também cessaremos a nossa autodefesa."
Contexto das negociações fracassadas
Os ataques ocorrem após o fracasso da última rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã, realizada em Genebra na quinta-feira anterior. As discussões duraram seis horas sem avanços concretos sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano.
Um relatório reservado da Agência Internacional de Energia Atômica revelou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan. O material possui grau de pureza de até 60%, tecnicamente próximo dos 90% considerados necessários para produção de armas nucleares.
A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou significativamente após a erosão do acordo de 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.
Acúmulo militar e escalada regional
Paralelamente às dificuldades diplomáticas, os Estados Unidos acumularam poderio bélico significativo ao redor do Irã. Na quarta-feira anterior aos ataques, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para a região, que já contava com dois porta-aviões, doze contratorpedeiros e três embarcações de combate.
Esta concentração de forças representa a maior presença militar americana no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, elevando consideravelmente o risco de uma escalada mais ampla do conflito.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou a retaliação através de um comunicado na rede social X, afirmando que o país "não hesitará" em sua resposta: "Chegou a hora de defender a pátria e enfrentar o ataque militar do inimigo. Assim como estávamos preparados para negociações, estivemos ainda mais preparados para a defesa em todos os momentos."
