Brasileiro campeão de jiu-jitsu vive momentos de terror durante ataques em Teerã
O tricampeão mundial de jiu-jitsu William Salvino experimentou momentos de angústia extrema e medo profundo durante os recentes ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O atleta brasileiro estava na capital Teerã para treinar a seleção local de jiu-jitsu quando as primeiras explosões começaram, mergulhando a cidade em um cenário de guerra inesperado.
Primeiros momentos de pânico e incomunicação
"Quando ouvi o primeiro bombardeio, chegou até a estremecer o prédio que eu estava, de tão forte que foi", relatou Salvino em mensagem enviada à noiva logo após o ataque. "Levantei meio atordoado, sem saber onde estava ainda. Muitas pessoas correndo com a mão na cabeça".
Após esse primeiro contato, o atleta ficou incomunicável por horas, o que aumentou drasticamente a apreensão da família no Brasil. Segundo Rita Galvez, noiva de William e comissária de bordo, a situação gerou um impacto emocional devastador: "Eu choro, eu paro de chorar. Você não acredita que é com você, que você está passando por isso. É um pesadelo".
Cenário de guerra e dificuldades para sair
Testemunhas no local relataram que a população de Teerã não estava preparada para um cenário de conflito armado. Surgiram relatos de falta de alimentos, escassez de água e dificuldades significativas para abastecer veículos, o que impedia muitas pessoas de deixar a cidade em busca de segurança.
Na tentativa desesperada de sair do país, Salvino conseguiu organizar um carro com motorista para atravessar a fronteira por terra em direção à Turquia. A decisão foi tomada em meio a novos bombardeios, aumentando os riscos da jornada.
Fuga arriscada e chegada à Turquia
"Depois de quase cinco horas sem falar com ele, ele me ligou muito rápido, em cerca de 20 segundos, e disse que tinham conseguido esse carro para ir até a Turquia", contou Rita Galvez. "Eu perguntei se não era melhor esperar, se era seguro. Ele respondeu: 'É a opção que eu tenho agora'".
Durante essa breve ligação, William revelou que acabara de presenciar outro bombardeio e estava visivelmente assustado. A viagem terrestre até a Turquia durou aproximadamente nove horas, em condições de extrema tensão e incerteza.
Na manhã de domingo (1º), William Salvino finalmente chegou à Turquia, fora da zona de conflito imediato. No entanto, ainda não há previsão concreta para seu retorno ao Brasil, uma vez que desde o início dos ataques, cerca de 1.600 voos com origem ou destino na região foram cancelados, afetando rotas internacionais e dificultando significativamente a saída de estrangeiros.
Impacto mais amplo do conflito
A situação vivida pelo atleta brasileiro reflete as dificuldades enfrentadas por civis em zonas de conflito, onde serviços básicos entram em colapso e a mobilidade fica severamente restrita. A experiência de Salvino destaca os riscos imprevistos que profissionais podem enfrentar ao trabalhar em regiões com tensões geopolíticas elevadas.



