Ataque dos EUA ao Irã gera coluna de fumaça em Teerã em meio a crise política e protestos
Ataque dos EUA ao Irã gera fumaça em Teerã durante protestos

Ataque militar dos Estados Unidos ao Irã provoca coluna de fumaça visível em Teerã

Nesta segunda-feira, 28, os Estados Unidos realizaram um ataque militar contra o Irã, gerando uma densa coluna de fumaça que foi registrada em vídeo na capital Teerã. Esta ofensiva ocorre após semanas de negociações diplomáticas entre os países, que buscavam um acordo para limitar ou encerrar o programa nuclear iraniano, uma fonte de preocupação internacional constante.

Cenário político delicado e protestos internos

A ação militar acontece em um momento particularmente sensível para o regime iraniano, que ainda enfrenta as consequências de uma onda de protestos que eclodiu nas primeiras semanas de 2025. Essas manifestações, reprimidas com extrema violência pelas forças de segurança, resultaram em milhares de mortes e prisões de civis, ganhando repercussão mundial.

No último fim de semana, o Irã registrou novos protestos, desta vez liderados por estudantes que retomavam o semestre acadêmico. As autoridades de Teerã advertiram os manifestantes a não ultrapassarem "limites", em um claro sinal de tensão crescente. Os protestos no Irã têm raízes profundas na insatisfação popular com a situação econômica do país.

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  • A moeda local sofreu uma desvalorização acentuada, perdendo cerca de metade do seu valor em relação ao dólar somente em 2025 e atingindo mínimas históricas.
  • A inflação elevada, acima de 40% ao ano, e o aumento do custo de vida têm afetado severamente a população.
  • O descontentamento também é alimentado pela desigualdade social entre cidadãos comuns e a elite, além de denúncias de corrupção no governo.

Crise econômica prolongada e sanções internacionais

O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, impactado principalmente pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos e outros países. Esta medida foi adotada em 2018, quando o então presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos e outras nações temem que o Irã esteja enriquecendo urânio para desenvolver uma arma nuclear, acusação que Teerã nega veementemente, afirmando que seu programa tem fins pacíficos.

As sanções e restrições comerciais, no entanto, desestimularam negócios com o país e afetaram exportações, investimentos e o sistema financeiro iraniano. A situação econômica piorou ainda mais após o conflito entre Irã e Israel em junho de 2024, quando forças israelenses e americanas atacaram alvos ligados ao programa nuclear iraniano.

Origens e evolução dos protestos

Os primeiros registros dos protestos ocorreram em 28 de dezembro, quando comerciantes iranianos iniciaram uma greve e fecharam lojas em reação à crise econômica. As manifestações ganharam força rapidamente na capital Teerã e se espalharam para outras cidades no dia seguinte, com apoio maciço de jovens e estudantes. Além das questões econômicas, os manifestantes passaram a exigir a queda do governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã há mais de 30 anos.

Na tentativa de conter os atos, o presidente Masoud Pezeshkian prometeu abrir um canal de diálogo com representantes da sociedade para discutir as demandas da população. No entanto, a repressão brutal que se seguiu minou qualquer esperança de negociação pacífica.

Repressão violenta e bloqueio de comunicações

Após os protestos tomarem as ruas no início de janeiro, Teerã iniciou uma repressão violenta contra os manifestantes. O regime também bloqueou o acesso à internet e restringiu as comunicações, isolando o país do mundo exterior. Relatos de iranianos naquelas semanas narraram uma repressão brutal, com pilhas de corpos e tiros contra a população desarmada.

Segundo organizações humanitárias, milhares de manifestantes foram mortos e outros milhares detidos. Vídeos que circularam na época mostram corpos enfileirados em frente a necrotérios, evidenciando a gravidade da situação. No fim de semana dos dias 21 e 22 de fevereiro, estudantes iranianos iniciaram uma nova onda de protestos contra o regime Khamenei, com manifestações em diversas universidades no Irã.

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Foram registrados confrontos, mas as agências de notícias não conseguiram verificar se havia mortos. Na ocasião, Teerã ameaçou os manifestantes com mais uma repressão violenta. Desde então, não há mais relatos de protestos no país, em um silêncio que pode indicar tanto o medo quanto o controle absoluto do regime sobre a população.