Ataque com drones a hospital no Sudão eleva número de mortos para 70, diz ONU
Ataque a hospital no Sudão mata 70, incluindo crianças e médicos

Ataque com drones eleva tragédia em hospital sudanês para 70 mortos

As Nações Unidas divulgaram nesta terça-feira (24) um balanço ainda mais sombrio do ataque aéreo que atingiu um hospital no Sudão. O número de mortos subiu para 70, incluindo mulheres, crianças e profissionais de saúde, conforme mais corpos foram resgatados dos escombros.

Hospital de referência destruído

O alvo foi o Hospital Universitário Al Deain, localizado em Darfur Oriental, atacado no dia 20 de março. A Organização Mundial da Saúde (OMS), que divulgou as informações, não atribuiu a responsabilidade pelo ato, mas destacou que a unidade médica, que atendia como hospital de referência para uma população de mais de 2 milhões de pessoas, foi completamente inutilizada.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, compartilhou imagens chocantes do local nas redes sociais, evidenciando a destruição. Um porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU detalhou que o ataque envolveu drones em uma área controlada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar em conflito com o Exército do Sudão.

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Uso crescente de drones no conflito

Os drones têm se tornado uma arma cada vez mais frequente nesta guerra civil, que começou em abril de 2023. De acordo com o escritório de direitos da ONU, mais de 500 civis já foram mortos em ataques com drones desde o início deste ano, a maioria na região de Kordofan.

Contexto do conflito e crise humanitária

O grupo sudanês de direitos humanos Emergency Lawyers, que monitora atrocidades no país, afirmou que o ataque ao hospital partiu do exército sudanês. A guerra civil opõe o exército regular às RSF, com raízes em tensões pós-golpe militar de 2021, quando dois generais antes aliados na derrubada do ditador Omar al-Bashir em 2019 entraram em confronto sobre a integração das milícias ao exército.

O conflito já resultou em dezenas de milhares de mortes e milhões de deslocados. Atualmente, a ONU classifica a situação no Sudão como "a pior crise humanitária do mundo". Imagens divulgadas pelo Conselho Norueguês para Refugiados mostram mulheres e crianças deslocadas de El Fasher para campos de refúgio em Tawila, ilustrando o desespero da população civil.

A destruição de infraestruturas críticas como hospitais agrava ainda mais a catástrofe, deixando comunidades inteiras sem acesso a cuidados médicos essenciais em meio a um conflito que parece longe de uma resolução.

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