A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou, no fim da tarde desta quarta-feira (20), que o líquido encontrado no sítio do agricultor Sidrônio Moreira, em Tabuleiro do Norte, interior do Ceará, é petróleo cru. A informação chegou por e-mail à família, que agora aguarda os próximos passos do processo de avaliação técnica.
O achado ocorreu em 2024, quando Sidrônio perfurava o solo em busca de água. O filho dele, Saullo Moreira, gerente de vendas, afirmou ao g1 que a família tem esperanças de que a exploração comercial seja viável, mas reconhece que o caminho é longo. “Por enquanto, tivemos apenas custos. Nossa esperança é que, no futuro, possamos ter retorno financeiro”, disse.
Dívida e expectativas
Para perfurar o poço, Sidrônio contraiu um empréstimo de R$ 15 mil, cujo pagamento foi adiado por um ano após renegociação com o banco. Saullo explicou que a confirmação do petróleo é apenas o início de um processo que inclui estudos e avaliações técnicas, sem prazo definido. “Somente após todas as etapas, com resultados positivos, pode haver retorno financeiro”, afirmou.
A propriedade do sítio continua sendo da família, mas os recursos minerais pertencem à União. O agricultor não será dono do petróleo, mas poderá receber até 1% do valor da exploração comercial futura.
Avaliação técnica da ANP
Com a confirmação, a ANP iniciará estudos para avaliar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. A agência destacou que não há prazo para conclusão da avaliação e que não há garantia de exploração comercial, pois depende do interesse de empresas. A área será dividida em blocos, que serão leiloados para exploração.
“A ANP abriu processo administrativo para avaliação técnica da área, inclusive quanto à eventual inclusão de bloco exploratório na Oferta Permanente de Concessão”, informou a agência. O processo pode levar anos, incluindo licenças ambientais e aprovações de ministérios.
Descoberta por acaso
Em novembro de 2024, Sidrônio perfurava o solo em busca de água para abastecer a família, que não tem água encanada. Em vez de água, jorrou um líquido preto, denso e viscoso, com cheiro de combustível. A família gravou um vídeo do momento (assista acima).
A região fica próxima à Bacia Potiguar, área de exploração de petróleo entre Ceará e Rio Grande do Norte. Testes do Instituto Federal do Ceará (IFCE) indicaram que o líquido tinha características de petróleo, mas a confirmação oficial veio da ANP.
A ANP orientou que a área seja isolada e que ninguém tenha contato com o material. Enquanto aguardava o laudo, a família enfrentou problemas de acesso à água, mas uma adutora antiga foi reativada após a repercussão do caso.
Longo processo até a exploração
A ANP regula todas as etapas da exploração de petróleo no Brasil. Após a descoberta, são feitos estudos geológicos para avaliar a jazida. Em seguida, a área é dividida em blocos e leiloada. No entanto, mesmo com a formação de blocos, pode não haver interesse de investidores, dependendo do custo e da qualidade do óleo.
O engenheiro Adriano Lima, que auxiliou a família, explicou que o custo de montar uma unidade de produção precisa ser equivalente ao retorno esperado. “O retorno depende da qualidade e quantidade do óleo e do tempo de produção”, disse.



