Premiê britânico admite erro em nomeação de embaixador ligado a Jeffrey Epstein
Starmer admite erro em nomeação de embaixador amigo de Epstein

Premiê britânico assume responsabilidade por polêmica nomeação diplomática

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, fez uma declaração contundente nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, admitindo publicamente que cometeu um erro grave ao nomear Peter Mandelson para o cargo de embaixador britânico em Washington. A admissão ocorre em meio a crescentes revelações sobre os vínculos do diplomata com Jeffrey Epstein, o financista americano falecido que foi condenado por exploração sexual de mulheres, incluindo menores de idade.

Revelação de documento sigiloso abala governo

"No centro de tudo isto, há uma decisão que tomei e que foi errada. Eu não deveria ter nomeado Peter Mandelson", afirmou Starmer durante uma tensa audiência no Parlamento britânico. O premiê acrescentou: "Assumo a responsabilidade por essa decisão e volto a apresentar as minhas desculpas às vítimas de Epstein."

A crise política se intensificou após o jornal The Guardian revelar na última quinta-feira que um parecer desfavorável emitido pelo órgão responsável por verificar antecedentes de Mandelson foi completamente ignorado pelo Ministério das Relações Exteriores britânico. O documento, que alertava sobre os riscos da nomeação, não impediu que o político fosse confirmado como embaixador nos Estados Unidos no início de 2025.

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Falta de transparência e consequências imediatas

Starmer afirmou categoricamente que não teria procedido com a nomeação se tivesse conhecimento prévio das ressalvas apresentadas no parecer. "O fato de haver um parecer desfavorável à nomeação de Mandelson poderia e deveria ter sido compartilhado comigo antes do político assumir o cargo", declarou o primeiro-ministro, atribuindo a falha de comunicação a funcionários da chancelaria britânica.

Como consequência direta das revelações, Starmer demitiu Olly Robbins, assessor de alto escalão do Ministério das Relações Exteriores que estava à frente dos serviços diplomáticos. A medida, no entanto, não foi suficiente para acalmar a oposição, que intensificou os pedidos pela renúncia do próprio premiê.

Reações políticas e crise de credibilidade

A chefe do Partido Conservador, Kemi Badenoch, foi uma das vozes mais críticas, acusando Starmer de ter "enganado o Parlamento sobre Mandelson, enganado o país e está fazendo o público de bobo". Já o líder liberal-democrata, Ed Davey, classificou a decisão como "um erro de julgamento catastrófico" que compromete seriamente a credibilidade do governo.

Em defesa do premiê, o vice-primeiro-ministro David Lammy, também do Partido Trabalhista, argumentou que Starmer "jamais" teria nomeado Mandelson se tivesse acesso a todas as informações disponíveis. A polêmica ocorre em um momento particularmente delicado para o governo, que já enfrentava baixos índices de popularidade antes deste escândalo.

O caso Peter Mandelson e os vínculos com Epstein

Peter Mandelson, que começou sua carreira política no Partido Trabalhista na década de 1980 e foi fundamental na vitória eleitoral de Tony Blair em 1997, foi nomeado embaixador em Washington em dezembro de 2024. Mesmo com conhecimento prévio de sua amizade com Epstein, o governo prosseguiu com a indicação.

O ex-embaixador foi destituído do cargo em setembro do ano passado e preso em 23 de fevereiro, após investigações criminais revelarem novos detalhes sobre sua relação com o financista americano. Documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostraram que Mandelson:

  • Informou Epstein sobre alterações na política fiscal britânica
  • Recebeu pagamentos do criminoso
  • Aparece em fotos controversas ao lado do predador sexual
  • Tentou modificar agendas governamentais em benefício do amigo

Em e-mails de 2009, quando atuava como secretário de negócios no governo de Gordon Brown, Mandelson assegurou a Epstein que estava "se esforçando" para tornar mais favorável a postura britânica em relação a banqueiros. A amizade entre os dois já havia sido exposta no ano anterior, quando o Congresso Americano divulgou uma coleção de bilhetes onde o britânico se referia a Epstein como "meu melhor amigo".

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A crise política gerada pela nomeação de Mandelson continua a se desdobrar, com analistas políticos alertando para possíveis consequências duradouras na credibilidade do governo Starmer e nas relações diplomáticas entre Reino Unido e Estados Unidos.