Sósia de Lula, médico bolsonarista usa semelhança para alavancar carreira política em Jaboticabal
Sósia de Lula, médico bolsonarista usa semelhança na política

Sósia de Lula, médico bolsonarista transforma semelhança física em trampolim político em Jaboticabal

O cardiologista e vereador de Jaboticabal, no interior de São Paulo, Dr. Célio de Morais, filiado ao Partido Liberal (PL), está tentando transformar um apelido que diz detestar em uma alavanca para sua ascensão política. Conhecido entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro como "Lula do Bem", devido à sua notável semelhança física com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o médico agora mira voos mais altos, se colocando como pré-candidato a deputado federal nas próximas eleições.

Da medicina à política: uma trajetória marcada por contradições

Em entrevista exclusiva à coluna GENTE, Dr. Célio, de 70 anos, revelou uma série de evasivas e inconsistências em seu discurso. O vereador, que afirma ter sido "convidado" por Bolsonaro para entrar na política, evitou responder de forma direta sobre temas centrais de saúde pública, como a pandemia de Covid-19 e sua posição sobre vacinas. Em vez disso, disparou críticas ao presidente Lula e distorceu o significado do termo "patriota" ao tentar se apropriar politicamente da palavra.

"Na verdade, não decidi entrar, aceitei entrar para a política", declarou o médico, justificando sua mudança de carreira após 41 anos de medicina. "Bolsonaro, após contato, me pediu que eu fosse um bom vereador e fosse para Brasília com ele fazer um trabalho bom para o Brasil", completou, minimizando sua própria agência na decisão.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

A semelhança física: de incômodo a estratégia política

Dr. Célio relatou que a comparação com Lula o incomodava inicialmente, mas que carrega essa imagem desde 1982, quando foi confundido com o então sindicalista durante um comício em Campinas. O momento decisivo, no entanto, ocorreu em fevereiro de 2024, quando foi fotografado na Avenida Paulista e viralizou como meme nas redes sociais, sendo chamado de "infiltrado" em manifestações bolsonaristas.

Apesar de negar usar a semelhança como marketing político, o apelido "Lula do Bem" se tornou central em sua projeção pública. "Nunca usei isso como promoção pessoal", insistiu, embora admita que "cada um faz a interpretação que quiser". Quando questionado sobre as vantagens da aparência, respondeu de forma evasiva: "Vantagem eu não saberia dizer... A diferença é que cada um usa o seu corpo à sua maneira".

Posicionamentos polêmicos e alinhamento com Bolsonaro

O vereador se declarou próximo a Jair Bolsonaro, participando de manifestações desde 2013, e atribuiu suas dificuldades financeiras ao governo de Dilma Rousseff. "Eu tinha 450 funcionários, mas dona Dilma me quebrou e quebrou o país", afirmou, sem fornecer detalhes concretos sobre o alegado prejuízo.

Sobre a gestão da pandemia pelo governo Bolsonaro, Dr. Célio defendeu uma visão gradualista: "Não se muda medicina e paradigmas médicos em um mandato. É uma geração de 20, 30, 50 anos para poder ajustar comportamentos médicos". Ele elogiou a suposta autonomia dada às prefeituras, mas evitou uma avaliação crítica das políticas federais de saúde durante a crise sanitária.

Projetos futuros e a tentativa de nacionalizar sua agenda

Como prioridade legislativa, caso eleito deputado federal, o médico promete levar para Brasília seu "projeto de saúde básica", desenvolvido em Jaboticabal. "Tenho experiência na saúde... vou levar para âmbito nacional", afirmou, sem especificar os detalhes ou o financiamento da proposta.

Em um momento pessoal, Dr. Célio destacou sua vida familiar estável, casado há 40 anos com a arquiteta Denise, com quem tem três filhos e quatro netos. "Nunca traí a minha esposa, sempre a respeitei", declarou, em contraste com as polêmicas que envolvem outros políticos.

A entrevista, publicada na íntegra pela coluna GENTE, expõe as fragilidades do discurso do vereador, que tenta equilibrar sua imagem de médico respeitado com uma agenda política alinhada ao bolsonarismo, usando uma semelhança física incômoda como moeda de troca em sua ambição por um cargo federal.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar