PT e PDT disputam liderança da esquerda no RS sob ameaça de intervenção nacional
PT e PDT brigam por frente contra direita no RS com risco de intervenção

Conflito partidário ameaça união da esquerda gaúcha nas eleições estaduais

A disputa interna entre PT e PDT pela liderança da chapa de esquerda no Rio Grande do Sul ganhou novos contornos nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, com a possibilidade real de intervenção do comando nacional petista no diretório estadual. O Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT publicou documento oficial defendendo que o partido no estado apoie a candidatura da ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), neta do histórico ex-governador Leonel Brizola, mas a medida enfrenta forte resistência local.

Resistência estadual desafia determinação nacional

O texto aprovado pela cúpula nacional define claramente: "definir a construção de uma tática eleitoral conjunta com o PDT, e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola". No entanto, petistas gaúchos preferem o ex-deputado estadual Edegar Pretto (PT) à frente da aliança, criando um impasse que pode levar a medidas extremas.

Caso persista a resistência local, o GTE não descarta intervir diretamente na política estadual, determinando os caminhos a serem seguidos, como já ocorreu em algumas capitais brasileiras em 2024. O documento tenta amenizar a situação sugerindo Pretto como vice de Brizola e responsável pelas negociações, mas o ex-deputado tem insistido em lançar sua própria candidatura.

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Pretto mantém posição firme com apoio local

Em vídeos publicados nas redes sociais, Edegar Pretto deixou claro que não abrirá mão de sua candidatura. "Vamos lutar até o último pavio, até o último pilar nós vamos lutar. Com a força da militância, do partido, com a força do povo trabalhador gaúcho, nós vamos eleger Edegar", declarou, citando frase do ex-presidente do PT-RS Ary Vanazzy.

Pretto recebe apoio significativo de outros membros do PT gaúcho, do PSOL (principalmente da ex-deputada federal Manoela D'Ávila, candidata ao Senado) e dos partidos que compõem federação com eles: PCdoB, PV e Rede. O PSOL também reforça que não aceita ser liderado pelo PDT no estado, argumentando que o partido fez parte da base do governo de Eduardo Leite (PSD) nos últimos anos.

Brizola busca aproximação com Lula e PT

Enquanto isso, Juliana Brizola lançou manifesto intitulado "Pela unidade do campo democrático, pela vitória do Brasil e do Rio Grande", no qual reforça seu afastamento do governo Leite e finaliza com a frase de efeito "Lula lá, Brizola aqui". Sua equipe nega alegações de petistas gaúchos de que ela não estaria tão comprometida com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontando diversos acenos feitos ao PT nos últimos meses.

O acordo nacional pelo apoio do PT à candidatura de Brizola foi costurado diretamente pelos presidentes dos partidos, Edinho Silva (PT) e Carlos Lupi (PDT), além do presidente Lula, como forma de corresponder aos apoios do PDT ao PT em outros estados. O deputado federal Paulo Pimenta (PT), representando ala mais ligada ao comando nacional, tem tentado articular o apoio a Brizola, mas sem muito sucesso no diretório estadual até o momento.

Direita lidera pesquisas enquanto esquerda se divide

A desavença à esquerda ocorre em momento delicado, com a direita liderando a disputa pelo governo estadual. Segundo última pesquisa Real Time Big Data de março, o deputado federal Luciano Zucco (PL) lidera com 31% das intenções de voto, seguido por Juliana Brizola (24%) e Edegar Pretto (19%). O vice-governador Gabriel Souza (MDB), candidato apoiado pelo governador Eduardo Leite (PSD), vem em seguida com 13%.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, indicando disputa acirrada que pode ser prejudicada pela falta de unidade no campo progressista. A situação coloca em risco a estratégia eleitoral da esquerda no estado mais meridional do país, com potencial impacto nas eleições nacionais.

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