Eleição na Alerj tem disputas judiciais antes mesmo de acontecer
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) elege nesta sexta-feira (16) seu novo presidente em meio a intensas disputas políticas e questionamentos judiciais, que começaram dias antes da votação e, ao que tudo indica, vão continuar por um bom tempo. O cenário é marcado por tensões e manobras estratégicas que refletem a complexidade do momento político fluminense.
Retirada de candidatura e boicote anunciado
Inicialmente, a disputa seria entre dois deputados candidatos: Douglas Ruas (PL), ligado à base do ex-governador Cláudio Castro (PL), e Vitor Junior (PDT), apoiado pela frente partidária do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo do estado. O candidato da oposição, porém, anunciou na noite de quinta-feira (15) que iria retirar sua candidatura como forma de protesto.
Neste caso, Douglas Ruas será o único candidato formal na disputa. O movimento é um protesto direto contra a decisão da Justiça que manteve a votação aberta, eliminando o sigilo do voto. Em paralelo à retirada da candidatura de Vitor Junior, uma frente composta por 25 deputados e 9 partidos (PSD, MDB, Podemos, PT, PDT, PSB, Cidadania, PCdoB e PV) afirmou que não participará da votação, boicotando o processo eleitoral.
Debate entre "cartas marcadas" e transparência
Para a oposição, a votação aberta se transforma em um jogo de "cartas marcadas". A avaliação é de que o sigilo poderia estimular deputados da base governista a mudar de posição sem sofrer pressões políticas diretas. "Essa frente partidária não irá legitimar um processo eleitoral de fachada, retirando-se do plenário caso mantido o voto aberto", diz um trecho da nota oficial da frente partidária.
A deputada Martha Rocha (PDT) foi ainda mais enfática: "Entendemos que o voto secreto evita a intimidação que, por certo, a base do então governador Cláudio Castro vai tentar fazer com os deputados". Ruas, por sua vez, defende veementemente o voto aberto e questiona a posição da oposição: "Por que esconder em quem você vai votar? Eu acho que a população tem direito. Quanto mais transparência no poder público, melhor. Seja no Legislativo, no Judiciário, no Executivo, eu sou a favor da máxima transparência", declarou o deputado do PL.
Contexto histórico e instabilidade institucional
Ruas já havia sido eleito presidente da Alerj em março, poucos dias após a cassação da chapa do então governador Cláudio Castro, mas a votação foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Rio, e ele não chegou a tomar posse efetivamente. Tradicionalmente, o presidente da Alerj ocupa posição de destaque na linha sucessória do governo do estado, à frente do presidente do Tribunal de Justiça.
Desta vez, porém, o eleito não assumirá o comando do Executivo fluminense. Uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou que o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, permaneça como governador em exercício até que a Corte defina o modelo para escolha do novo chefe do Executivo em mandato-tampão.
Segundo Douglas Ruas, a prioridade no momento é encerrar a instabilidade institucional que assola o estado. "A primeira etapa é dar fim à interinidade no Legislativo. Já no Executivo, isso depende da decisão do STF sobre como será feita a eleição do novo governador", afirmou o parlamentar, destacando os desafios que aguardam o próximo presidente da casa legislativa.



