Opositores apontam cinco elementos de propaganda antecipada em desfile sobre Lula
Cinco elementos de propaganda antecipada em desfile sobre Lula

Desfile em homenagem a Lula gera polêmica e ações judiciais

A homenagem prestada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval do Rio de Janeiro desencadeou uma série de críticas e reações por parte de políticos da oposição. Os adversários do governo federal alegam que o evento caracterizou propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder político e utilização indevida de recursos públicos.

Os cinco pontos criticados pelos opositores

De acordo com as denúncias apresentadas, cinco elementos principais do desfile foram apontados como problemáticos:

  1. Exaltação de Lula e de feitos do seu governo, com enfoque em realizações administrativas durante a apresentação na Marquês de Sapucaí.
  2. Presença do presidente na avenida, antes do início oficial do desfile, interpretada como autopromoção e uso da máquina pública.
  3. Desqualificação do ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado de forma pejorativa, inclusive como um palhaço preso, o que foi considerado um ataque pessoal.
  4. Inclusão de uma ala com estrelas vermelhas, símbolo tradicional do Partido dos Trabalhadores (PT), vista como clara identificação partidária.
  5. Representação irônica de "famílias em conserva", numa alusão crítica ao movimento conservador, considerada ofensiva por setores da direita.

Recursos públicos e ações no Tribunal Superior Eleitoral

A agremiação carnavalesca recebeu um repasse de 1 milhão de reais da Embratur, entidade vinculada ao governo federal, como parte dos incentivos às escolas de samba do Rio. Este financiamento tornou-se um dos principais argumentos para as acusações de abuso de poder econômico.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, anunciou que irá acionar o TSE devido aos "ataques pessoais" ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e à forma como os conservadores foram abordados. Em publicação na rede social X, o parlamentar afirmou: "Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE. Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a FAMÍLIA".

Críticas de parlamentares e partidos políticos

A vereadora de São Paulo Janaína Paschoal (PP) questionou a ala das estrelas vermelhas, destacando: "Acaba de passar uma ala intitulada 'estrela vermelha', justamente o símbolo do PT! Isso não é propaganda eleitoral antecipada?".

Já a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) enfatizou a presença de Lula na avenida, argumentando: "Lula desce pra avenida. Se isso não é autopromoção, uso da máquina pública e cheiro forte de campanha antecipada, eu sinceramente não sei o que é".

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) classificou o episódio como um dos mais graves de abuso de poder político na história republicana, afirmando em vídeo: "Ridicularizaram o ex-presidente Bolsonaro. Pode até não gostar do Bolsonaro, mas não pode utilizar dinheiro público, desfile de escola de samba, para atacar adversário político".

Medidas judiciais em andamento

O partido Novo já apresentou uma representação no TSE e declarou que irá protocolar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), instrumento legal que pode levar à cassação de candidatura em processos eleitorais. O presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, sustenta que houve "propaganda eleitoral antecipada com dinheiro público".

As ações judiciais prometem manter o tema em evidência nos próximos meses, alimentando o debate sobre os limites entre manifestação cultural e atividade político-partidária durante eventos de grande visibilidade como o Carnaval.