Desfile em homenagem a Lula gera polêmica e ações judiciais
A homenagem prestada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval do Rio de Janeiro desencadeou uma série de críticas e reações por parte de políticos da oposição. Os adversários do governo federal alegam que o evento caracterizou propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder político e utilização indevida de recursos públicos.
Os cinco pontos criticados pelos opositores
De acordo com as denúncias apresentadas, cinco elementos principais do desfile foram apontados como problemáticos:
- Exaltação de Lula e de feitos do seu governo, com enfoque em realizações administrativas durante a apresentação na Marquês de Sapucaí.
- Presença do presidente na avenida, antes do início oficial do desfile, interpretada como autopromoção e uso da máquina pública.
- Desqualificação do ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado de forma pejorativa, inclusive como um palhaço preso, o que foi considerado um ataque pessoal.
- Inclusão de uma ala com estrelas vermelhas, símbolo tradicional do Partido dos Trabalhadores (PT), vista como clara identificação partidária.
- Representação irônica de "famílias em conserva", numa alusão crítica ao movimento conservador, considerada ofensiva por setores da direita.
Recursos públicos e ações no Tribunal Superior Eleitoral
A agremiação carnavalesca recebeu um repasse de 1 milhão de reais da Embratur, entidade vinculada ao governo federal, como parte dos incentivos às escolas de samba do Rio. Este financiamento tornou-se um dos principais argumentos para as acusações de abuso de poder econômico.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, anunciou que irá acionar o TSE devido aos "ataques pessoais" ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e à forma como os conservadores foram abordados. Em publicação na rede social X, o parlamentar afirmou: "Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE. Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a FAMÍLIA".
Críticas de parlamentares e partidos políticos
A vereadora de São Paulo Janaína Paschoal (PP) questionou a ala das estrelas vermelhas, destacando: "Acaba de passar uma ala intitulada 'estrela vermelha', justamente o símbolo do PT! Isso não é propaganda eleitoral antecipada?".
Já a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) enfatizou a presença de Lula na avenida, argumentando: "Lula desce pra avenida. Se isso não é autopromoção, uso da máquina pública e cheiro forte de campanha antecipada, eu sinceramente não sei o que é".
O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) classificou o episódio como um dos mais graves de abuso de poder político na história republicana, afirmando em vídeo: "Ridicularizaram o ex-presidente Bolsonaro. Pode até não gostar do Bolsonaro, mas não pode utilizar dinheiro público, desfile de escola de samba, para atacar adversário político".
Medidas judiciais em andamento
O partido Novo já apresentou uma representação no TSE e declarou que irá protocolar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), instrumento legal que pode levar à cassação de candidatura em processos eleitorais. O presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, sustenta que houve "propaganda eleitoral antecipada com dinheiro público".
As ações judiciais prometem manter o tema em evidência nos próximos meses, alimentando o debate sobre os limites entre manifestação cultural e atividade político-partidária durante eventos de grande visibilidade como o Carnaval.