Cassação de prefeito de Campo Limpo Paulista é adiada após tumulto e tentativa de prisão na Câmara
Cassação de prefeito adiada após tumulto e tentativa de prisão na Câmara

Cassação de prefeito de Campo Limpo Paulista é adiada após confusão generalizada na Câmara Municipal

A sessão histórica que votaria a cassação do prefeito de Campo Limpo Paulista (SP), Adeildo Nogueira (PL), foi marcada por uma série de eventos tumultuados que resultaram no adiamento da votação. O plenário da Câmara Municipal ficou completamente lotado com moradores ansiosos para acompanhar o desfecho político, mas o que se seguiu foi um dia de quase nove horas de atrasos, suspensões e incidentes graves.

Infrações político-administrativas motivam processo de cassação

A comissão processante recomenda a cassação do prefeito por diversas infrações político-administrativas. Segundo as acusações, Adeildo Nogueira teria deixado de responder requerimentos e convocações dos vereadores desde novembro de 2025. Além disso, o parlamentar também é acusado de não ter fiscalizado adequadamente os contratos de prestação de serviço público no Hospital das Clínicas da cidade.

Outra grave acusação envolve supostas autorizações de pagamentos sem o devido empenho prévio, prática que, conforme a Câmara Municipal, contraria frontalmente a legislação vigente. O prefeito, que acompanhou toda a sessão da prefeitura, contesta veementemente todas as acusações e afirma estar sofrendo perseguição política motivada por interesses partidários.

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Tumulto inicia com atraso e suspensões sucessivas

A sessão começou com quase uma hora de atraso nesta terça-feira (10) e, nos primeiros minutos, já foi suspensa a pedido do presidente da Câmara, Antonio Fiaz Carvalho, conhecido como Tonico (União Brasil). Ele justificou a medida alegando que as manifestações dos apoiadores do prefeito estavam atrapalhando significativamente o andamento dos trabalhos legislativos.

Após ser retomada, nova confusão eclodiu quando o vereador Paulo Preza (PP), que está proibido pela Justiça de votar, tentou impedir que sua suplente, Alessandra Vergílio, tomasse posse. O impedimento judicial ocorre porque a comissão processante concluiu que a esposa do vereador ganhou um cargo no fórum em troca do apoio político do marido ao prefeito durante votações anteriores.

Situação similar ocorreu com o vereador Jurandi Rodrigues (Republicanos), que também foi suspenso e substituído pelos mesmos motivos, conforme apuração da TV TEM.

Tentativa de prisão paralisa sessão por horas

O ápice do tumulto ocorreu quando uma advogada invadiu o plenário e deu voz de prisão ao presidente da Câmara, Tonico, alegando suposto abuso de autoridade. O incidente aconteceu após Tonico ordenar que a Guarda Municipal retirasse o vereador Paulo Preza do local, decisão que gerou imediata reação contrária.

A sessão ficou suspensa por quase quatro horas e meia enquanto a situação se desenrolava. A base aliada do prefeito assinou um documento declarando que não iria se retirar da sessão e, significativamente, que não iria participar da votação, criando um impasse político considerável.

Conforme apurado pela TV TEM, Tonico se trancou em seu gabinete durante o conflito, enquanto ocorriam confrontos entre guardas municipais e funcionários da Câmara. A Polícia Militar precisou ser acionada para intermediar a situação tensa que se instalou no legislativo municipal.

Presidente da Câmara é levado à delegacia

Como consequência direta dos eventos, o presidente da Câmara, Tonico, foi levado até a delegacia para prestar esclarecimentos sobre os incidentes ocorridos durante a sessão. Após sua saída do legislativo, o vice-presidente da Casa informou oficialmente a suspensão definitiva da sessão, adiando a votação que definiria o futuro político do prefeito Adeildo Nogueira.

A votação sobre a cassação do prefeito deve ser remarcada para os próximos dias, mas o clima de tensão e divisão política permanece evidente em Campo Limpo Paulista. Os eventos desta terça-feira demonstraram o alto grau de polarização e os conflitos institucionais que marcam o cenário político municipal.

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