O Ministério da Educação (MEC) está prestes a aplicar punições a seis instituições de ensino superior de Goiás. A medida é uma resposta aos resultados considerados insatisfatórios que esses centros universitários, faculdades e universidades obtiveram no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), aplicado em 2025.
Instituições com notas baixas e possíveis sanções
O Enamed, que é a versão do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) específica para medicina, classifica os cursos com notas de 1 a 5. As faixas de 3 a 5 são vistas como satisfatórias pelo ministério. No entanto, as instituições goianas listadas ficaram nas faixas mais baixas.
As que receberam conceito 1 foram:
- Faculdade Zarns, no polo de Itumbiara.
- Unicerrado, em Goiatuba.
- Centro Universitário Alfredo Nasser (Unifan), em Aparecida de Goiânia.
- Universidade de Rio Verde (UniRV), nos polos de Goianésia e Formosa.
Já as que obtiveram nota 2 são:
- Universidade de Rio Verde (UniRV), nos campi de Aparecida de Goiânia e Rio Verde.
- Faculdade Morgana Potrich (Famp), em Mineiros.
- Centro Universitário de Mineiros (Unifimes), nas unidades de Trindade e Mineiros.
De acordo com o MEC, os cursos com conceito 1 serão submetidos a ações de supervisão que podem incluir a suspensão do ingresso de novos alunos ou uma redução no número de vagas oferecidas. Para os que tiraram nota 2, as medidas previstas são a redução de vagas existentes ou a proibição de qualquer aumento na oferta.
Contexto nacional e críticas ao ensino médico
Em 2025, participaram do Enamed 351 cursos de medicina em todo o Brasil. Desse total, 304 estão no Sistema Federal de Ensino, que abrange tanto instituições públicas federais quanto privadas. Os dados revelam que 67,1% desses cursos alcançaram um conceito satisfatório (notas 3, 4 ou 5). Por outro lado, 99 cursos, o equivalente a 32%, ficaram nas faixas 1 e 2.
O ministro da Educação, Camilo Santana, ressaltou que o objetivo da avaliação é fornecer um diagnóstico preciso da formação médica no país, identificando tanto as instituições com bom desempenho quanto aquelas que necessitam de melhorias.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) emitiu uma nota crítica em seu perfil no Instagram. O órgão destacou que nenhum curso de medicina em Goiás recebeu a nota máxima (5) no exame. Para o Cremego, os resultados refletem os prejuízos causados pela "abertura indiscriminada de escolas médicas", que muitas vezes ocorre sem a infraestrutura técnica e prática necessária para uma formação de qualidade.
Além disso, o conselho defendeu a implementação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (ProfiMed), cuja proposta de criação está atualmente em tramitação no Congresso Nacional. A avaliação teria como objetivo analisar de forma mais profunda e específica o ensino médico oferecido no país.
Próximos passos e busca por posicionamento
A supervisão e a aplicação das sanções caberão à Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), órgão do MEC. O processo visa garantir que os cursos que não atingiram o padrão mínimo de qualidade adotem as correções necessárias para melhorar a formação dos futuros médicos.
O g1 tentou contato com todas as instituições de ensino mencionadas na reportagem para obter um posicionamento sobre os resultados e as possíveis punições. Entretanto, nenhuma delas havia se manifestado até o momento da última atualização desta matéria.
O caso das seis instituições de Goiás coloca em evidência o debate contínuo sobre a qualidade do ensino superior no Brasil, especialmente em áreas sensíveis e de grande impacto social, como a medicina. A ação do MEC sinaliza uma postura de maior rigor na regulação do setor.