Projeto Educação Patrimonial chega a Santarém com oficinas e cartilhas
Educação Patrimonial promove oficinas em Santarém

Uma iniciativa voltada para a valorização da história e da identidade local está prestes a começar em Santarém, no oeste do Pará. O projeto "Educação Patrimonial no Baixo Amazonas" foi contemplado pelo Edital nº 02/2025 de Fomento à Criação de Projetos Culturais do Estado do Pará e tem como missão disseminar conhecimentos sobre a proteção do patrimônio cultural na região.

Oficinas marcam o início das atividades

A primeira etapa do projeto, batizada de "Giro do Patrimônio Cultural e os Lugares de Memória", acontece já neste sábado, dia 10 de janeiro. As atividades serão sediadas no Sebo Porão Cultural, espaço que se tornará o ponto de convergência para os debates.

A programação do dia está dividida em duas oficinas. Pela manhã, das 8h às 11h, ocorre a oficina "Caminhando pelo patrimônio: Sítio Arqueológico Sítio Aldeia". Os participantes farão um mapeamento dos símbolos, memórias e narrativas presentes na Praça Rodrigues dos Santos, local escolhido por sua carga histórica multifacetada.

À tarde, das 16h às 19h, a oficina "Instrumentos de Proteção do Patrimônio Cultural" será ministrada por especialistas. Quem deseja participar deve realizar uma inscrição online através de um formulário eletrônico disponibilizado pelos organizadores.

Uma equipe de especialistas à frente do projeto

O projeto conta com uma equipe multidisciplinar de pesquisadores qualificados. A coordenação é de Débora Marcião dos Santos, arqueóloga e mestranda do IPHAN. Ela é acompanhada pela Professora Doutora em Arqueologia Camila Jácome (Ufopa) e pela Arquiteta e Urbanista Cecy Sussuarana.

Segundo Débora Marcião, o objetivo central é reforçar coletivamente as noções de memória e identidade no Baixo Amazonas. "Buscamos incluir ativamente noções e vivências coletivas acerca do patrimônio cultural a partir da perspectiva de quem mora na região, e facilitar o entendimento dos instrumentos de proteção", explicou a coordenadora.

Cartilhas acessíveis e expansão para outros municípios

Além das oficinas, um dos produtos concretos do projeto será a elaboração de 500 cartilhas educativas sobre educação patrimonial. Esses materiais serão distribuídos em escolas da região e produzidos com acessibilidade, incluindo audiodescrição e Libras. O lançamento está previsto para julho.

A iniciativa não se restringe a Santarém. O projeto também prevê ações de contrapartida nos municípios de Belterra e Monte Alegre, ampliando o alcance da discussão sobre patrimônio no Baixo Amazonas.

A escolha da Praça Rodrigues dos Santos como ponto de partida é simbólica. O local agrega marcos da colonização portuguesa, mas também guarda memórias sensíveis para povos indígenas e para o movimento negro, relacionadas à diáspora africana no Norte do Brasil. Repensar as narrativas que partem deste espaço é um dos eixos centrais para a construção de uma história mais inclusiva na região.