O presidente Donald Trump insiste que o tempo está a seu favor na busca de um acordo com o Irã, mas a reação negativa de seus aliados republicanos no Congresso mostra uma realidade bem diferente. Crivado por críticas e alertas de que estava disposto a ceder demais ao regime, o presidente desacelerou no domingo o otimismo manifestado na noite anterior, quando anunciou que a finalização de um consenso com a república teocrática era iminente.
Pressão dos republicanos
O temor de senadores republicanos próximos a Trump, como Lindsey Graham e Ted Cruz, é de que o acordo permita ao regime iraniano tornar-se mais poderoso com o tempo. Graham, considerado linha-dura na política externa para o Irã, ponderou que se um acordo for firmado para pôr fim ao conflito porque se acredita que o Estreito de Ormuz não pode ser protegido do terrorismo iraniano, o Irã será percebido como uma força dominante que exige solução diplomática.
Detalhes das negociações
De acordo com informações vazadas sobre as negociações mediadas pelo Paquistão, o esboço do acordo prevê estender o cessar-fogo existente e reabrir o Estreito de Ormuz, amenizando o impacto do cerco aos EUA e à economia global, em troca do descongelamento de ativos iranianos. O alívio nas sanções seria proporcional às medidas do Irã para restringir o programa nuclear.
Reação dos falcões
O que desagrada aos senadores apoiadores de Trump é que a 'rendição incondicional' da República Islâmica, prometida no início da guerra, não ocorreu. Tampouco a mudança de regime e a aniquilação do programa nuclear, alegadas para justificar a campanha militar dos EUA e de Israel no Irã. A guerra de 87 dias não conseguiu forçar concessões nucleares que um acordo diplomático tenta agora.
O senador Ted Cruz antecipou no X: 'Se o resultado for um regime iraniano ainda liderado por islamitas que gritam "morte à América", recebendo bilhões, enriquecendo urânio e controlando o Estreito de Ormuz, isso seria um erro desastroso.'
Recuo de Trump
Diante da pressão, Trump recuou, avisando que não costuma fazer maus negócios e recomendando a seus negociadores a não buscar um acordo precipitado. A rejeição veemente dos americanos à guerra no Irã põe em dúvida a aparente firmeza do presidente.



