O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (14) que não tem planos imediatos de demitir Jerome Powell do comando do Federal Reserve, o banco central americano. A declaração ocorre em meio a uma investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça contra Powell, mas Trump deixou claro que a decisão final ainda está em aberto.
Uma decisão em "compasso de espera"
Em entrevista à Reuters, Trump foi direto ao ser questionado se tentaria remover Powell do cargo. "Não tenho nenhum plano de fazer isso", disse inicialmente. No entanto, ao ser pressionado sobre se a investigação em curso lhe daria base para tal medida, o presidente adotou um tom mais evasivo.
"No momento, estamos meio que em compasso de espera com ele e vamos decidir o que fazer. Mas não posso entrar em detalhes. É cedo demais. Muito cedo", completou Trump. O mandato de Powell como chairman do Fed termina em maio, mas ele tem direito a permanecer como membro do Conselho de Governadores até 2028.
Os possíveis substitutos e a sombra da investigação
O presidente norte-americano já sinalizou possíveis nomes para assumir o posto, caso decida não reconduzir Powell. Trump sugeriu que está inclinado a indicar o ex-diretor do Fed Kevin Warsh ou o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett. Ele também afirmou ter descartado o secretário do Tesouro, Scott Bessent, que preferiu permanecer no cargo atual.
"Os dois Kevins são muito bons", avaliou Trump. "Há outras pessoas boas também, mas vou anunciar algo nas próximas semanas." A investigação que paira sobre Powell envolve estouros de custos em um projeto de US$ 2,5 bilhões para reformar dois prédios históricos na sede do Fed. Powell, que revelou a investigação no último domingo, nega qualquer irregularidade e alega que a ação é um pretexto para pressioná-lo.
Independência do Fed e pressão política
O caso é visto como um teste à tradicional independência do Federal Reserve. Analistas e ex-autoridades, incluindo senadores republicanos cujo apoio é vital para confirmar um novo nome, criticaram a iniciativa, enxergando nela uma perigosa politização da política monetária. A administração Trump, contudo, defende seu dever de investigar possíveis irregularidades.
A tensão tem raízes na insatisfação pública de Trump com a política de juros. O presidente, que nomeou Powell em seu primeiro mandato, vem pressionando-o publicamente por não reduzir a taxa básica na velocidade ou intensidade que deseja. Com as eleições legislativas de meio de mandato em novembro, o custo de vida é uma preocupação central dos eleitores, que avaliam negativamente a atuação de Trump no tema.
Questionado sobre as críticas à sua postura, inclusive de parlamentares de quem precisará de apoio, Trump foi taxativo: "Não me importo. Eles deveriam ser leais. É isso que eu digo." Ele também rejeitou a visão predominante de que enfraquecer o banco central poderia prejudicar o dólar e alimentar a inflação, repetindo: "Não me importo."
Este episódio marca mais um capítulo no teste dos limites do poder presididental por Trump, que também tentou demitir a diretora do Fed Lisa Cook – caso que será analisado pela Suprema Corte na próxima semana. "Um presidente deveria ter alguma influência" sobre a política do Fed, argumentou Trump, acrescentando, em referência a Powell: "Ganhei muito dinheiro nos negócios, então acho que entendo disso melhor do que o Jerome Powell Atrasado."