Psol pede suspensão de contratos com empresas investigadas por cartel trabalhista
Psol pede suspensão de contratos com empresas por cartel

Psol propõe suspensão de contratos com empresas investigadas por cartel trabalhista

A deputada Fernanda Melchionna (Psol) encaminhou uma indicação ao Poder Executivo sugerindo que o governo Lula adote medidas cautelares contra 59 multinacionais investigadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel no mercado de trabalho. A recomendação prevê a suspensão preventiva de contratos, convênios, repasses e benefícios fiscais até a conclusão das investigações.

Medidas propostas pela parlamentar

Além da suspensão, Melchionna sugere a revisão dos contratos, com análise de possibilidade de rescisão ou renegociação. Ela também propõe que o Ministério do Trabalho e Emprego instaure um procedimento administrativo para apurar os impactos do cartel sobre direitos trabalhistas, salários, benefícios, negociações coletivas e condições de trabalho dos empregados das empresas envolvidas. Outra recomendação é a inclusão das companhias eventualmente condenadas nos cadastros administrativos pertinentes, restringindo futuras contratações com o setor público.

A deputada ainda solicita um estudo conjunto da Casa Civil, da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério da Gestão e da Inovação sobre a viabilidade de editar um ato normativo que estabeleça diretrizes para contratação pública federal com empresas investigadas, compromissárias ou condenadas por práticas anticoncorrenciais que afetem diretamente os trabalhadores.

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Entenda o caso do cartel

Conforme antecipado pelo Radar, 59 multinacionais que empregam mais de 3 milhões de brasileiros formaram um grupo para trocar dados sensíveis sobre salários, benefícios e políticas internas. O objetivo era nivelar o mercado e reduzir gastos de forma anticoncorrencial. A partir de um acordo de leniência, os investigadores descobriram que a troca de informações entre os departamentos de recursos humanos das empresas visava limitar benefícios, salários e até impedir que trabalhadores talentosos recebessem propostas vantajosas para migrar para a concorrência.

Com isso, as empresas economizavam em processos de demissões e perda de talentos, além de não inflacionar a mão de obra em um mercado naturalmente competitivo. As principais vítimas eram os próprios trabalhadores e suas carreiras.

Acordos e próximos passos

Nos últimos meses, cinco companhias — Bayer e Monsanto, General Mills, Dow Brasil, 3M do Brasil e IBM Brasil — fecharam acordos para confessar os crimes aos investigadores do Cade. O esquema operou, segundo as investigações, entre 2004 e 2021. Ele impedia que uma empresa “agredisse” a outra com ofertas melhores para atrair funcionários, eliminando a competição natural por talentos e mantendo salários abaixo dos praticados em um mercado competitivo.

Nas próximas semanas, o Cade interrogará diversas testemunhas do cartel. As multinacionais delatadas atuam em setores como bens de consumo, agronegócio, farmacêutico, tecnologia, cosméticos, alimentos, bebidas, siderurgia, veículos e comunicações.

Muitas empresas negam irregularidades e tentam provar que não participaram dos fatos admitidos pelas colaboradoras. Em caso de condenação, as multas podem chegar a 20% do faturamento bruto das companhias no ano anterior ao início dos crimes.

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Lista de empresas investigadas pelo Cade

  • 3M do Brasil Ltda.
  • Alcoa Alumínio S.A.
  • Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda.
  • Avon Cosméticos Ltda.
  • BAT Brasil/Souza Cruz Ltda.
  • Bayer S.A.
  • BDF Nivea Ltda.
  • Boticário Produtos de Beleza Ltda.
  • BRF S.A.
  • Bunge Alimentos S.A.
  • C&A Modas S.A.
  • Cargill Agrícola S.A.
  • Claro S.A.
  • Colgate-Palmolive Comercial Ltda.
  • Companhia Siderúrgica Nacional
  • Corteva Agriscience do Brasil Ltda.
  • Coty Brasil Comércio S.A.
  • Danone Ltda.
  • Dexco S.A.
  • Diageo Brasil Ltda.
  • Dow Brasil Sudeste Industrial Ltda.
  • General Mills Brasil Alimentos Ltda.
  • General Motors do Brasil Ltda.
  • Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Ltda.
  • Grupo Hinode Participações S.A.
  • Henkel Ltda.
  • HNK BR Indústria de Bebidas Ltda.
  • IBM Brasil — Indústria Máquinas e Serviços Ltda.
  • J. Macêdo S.A.
  • Jacobs Douwe Egberts BR Comercialização de Cafés Ltda.
  • JNTL Consumer Health (Brazil) Ltda.
  • Kimberly-Clark Brasil Indústria e Comércio de Produtos de Higiene Ltda.
  • Klabin S.A.
  • Louis Dreyfus Company Brasil S.A.
  • Masterfoods Brasil Alimentos Ltda.
  • Mondelez Brasil Ltda.
  • Monsanto do Brasil Ltda.
  • Natura Comercial S.A.
  • Natura Cosméticos S.A.
  • Nestlé Brasil Ltda.
  • Pepsico do Brasil Ltda.
  • Philips do Brasil Ltda.
  • Pirelli Comercial de Pneus Brasil Ltda.
  • Reckitt Benckiser (Brasil) Ltda.
  • Sanofi Aventis Comercial e Logística Ltda.
  • Sanofi Aventis Farmacêutica Ltda.
  • SEB do Brasil Produtos Domésticos Ltda.
  • Serasa S.A.
  • Siemens Energy Brasil Ltda.
  • SPAL Indústria Brasileira de Bebidas S.A.
  • Suzano S.A.
  • Syngenta Proteção de Cultivos Ltda.
  • Unilever Brasil Ltda.
  • Vale S.A.
  • Volkswagen do Brasil Indústria de Veículos Automotores Ltda.
  • Votorantim Cimentos S.A.
  • Votorantim Industrial S.A.
  • Whirlpool S.A.
  • White Martins Gases Industriais Ltda.