Em artigo publicado recentemente, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. faz duras críticas à política de juros do Banco Central (BC), classificando-a como um desastre. Para ele, a manutenção de taxas elevadas não se justifica nem mesmo diante do choque do petróleo provocado pela guerra na Ásia Ocidental.
Juros estratosféricos e seus efeitos
Batista Jr. destaca que a taxa Selic real ex ante está em cerca de 10% ao ano, enquanto os juros médios cobrados pelos bancos no crédito livre chegam a 35% ao ano em termos reais – 15% para pessoas jurídicas e 52% para pessoas físicas. Esses números, segundo ele, destroem as finanças de famílias, empresas e do próprio governo.
O economista aponta que o argumento de que o choque do petróleo justifica juros altos é duvidoso, pois o Brasil se beneficia como exportador de petróleo, com melhora nos termos de troca, na balança comercial e nas contas fiscais. Além disso, a apreciação cambial amortece o impacto inflacionário.
Expectativas de inflação e meta irrealista
O BC alega que as expectativas de inflação estão desancoradas, mas Batista Jr. lembra que a meta de inflação de 3% foi fixada no governo Temer e não foi revista pelo atual governo. Ele sugere que seria possível praticar uma política menos apertada mirando o teto da meta, de 4,5%.
Ganhadores e perdedores
Os juros altos beneficiam grandes bancos, rentistas e investidores estrangeiros, enquanto prejudicam empresas, governo e pessoas endividadas. O economista critica a porta giratória entre o BC e o mercado financeiro, defendendo uma quarentena mais longa para diretores.
Ele também alerta para o efeito dos juros sobre a dívida pública: o déficit nominal de 8,5% do PIB é puxado pela carga de juros de 8% do PIB, e não pelo déficit primário. A política monetária restritiva ainda reduz o crescimento econômico e agrava a desigualdade.
Concentração de renda e vulnerabilidade externa
Para Batista Jr., os juros altos reforçam a bolsa-banqueiro e a bolsa-rentista, anulando os efeitos distributivos de programas sociais como o Bolsa Família. Além disso, a liberalização financeira permite fácil fuga de capitais, aumentando a vulnerabilidade externa do país.
O artigo conclui que a política de juros do BC é um erro grotesco, mantida por pressão do mercado financeiro e da mídia tradicional, e que uma mudança de rumo é urgente para evitar mais danos à economia e à sociedade brasileira.



