A Comissão Nacional do Mercado de Valores da Espanha (CNMV) multou o ex-jogador Gerard Piqué em 200 mil euros (aproximadamente R$ 1,3 milhão) por uso de informação privilegiada, conhecido como insider trading. A punição, classificada como "infração muito grave", foi anunciada nesta segunda-feira e envolve a compra de ações da empresa Aspy Global Services em janeiro de 2021.
Entenda o caso
Segundo a investigação, Piqué adquiriu mais de 100 mil ações da Aspy dois dias antes de o mercado tomar conhecimento das negociações de aquisição da empresa pelo grupo Atrys Health. Após o anúncio, as ações da Aspy dispararam quase 20%, e o ex-zagueiro vendeu sua posição poucos dias depois, lucrando com a alta.
A CNMV não divulgou o valor exato do lucro obtido por Piqué, mas a legislação espanhola prevê multas que podem chegar a quatro vezes o ganho irregular. Além de Piqué, o empresário Francisco José Elías Navarro também foi multado em 100 mil euros (R$ 660 mil) por ter repassado a informação confidencial ao ex-jogador. Ambos podem recorrer da decisão à Justiça espanhola.
Contexto e repercussão
O caso ocorre em um momento de crescente pressão sobre celebridades envolvidas no mercado financeiro. Após encerrar a carreira no Barcelona em 2022, Piqué ampliou seus negócios, lançando a Kings League e participando de projetos de mídia esportiva e investimentos privados. Especialistas apontam que a aproximação entre esporte e finanças aumenta os riscos de conflitos de interesse e casos de insider trading.
Casos recentes envolvendo esportistas incluem o golfista Phil Mickelson, que em 2016 devolveu US$ 931 mil obtidos com informações privilegiadas, e o bilionário Joe Lewis, ex-dono do Tottenham, que em 2024 foi multado em US$ 5 milhões por compartilhar informações confidenciais.
O que é insider trading
Insider trading é a prática de negociar ativos financeiros usando informações relevantes ainda não divulgadas ao mercado. Considerado crime ou infração grave em diversos países, ele desequilibra a competição entre investidores e compromete a confiança no sistema financeiro. Autoridades reguladoras têm ampliado o monitoramento sobre movimentações suspeitas de celebridades e executivos.
Mercado esportivo e finanças
Nos últimos anos, clubes, ligas e atletas passaram a movimentar volumes crescentes de capital privado, fundos de investimento e operações financeiras sofisticadas. Fundos americanos e europeus aumentaram sua participação em clubes de futebol, ligas de mídia esportiva e empresas de apostas e entretenimento digital. Essa transformação aproximou o esporte do mercado financeiro e elevou a atenção dos reguladores para possíveis irregularidades, como demonstra o caso de Piqué.



