O advogado-geral da União, Jorge Messias, candidato ao Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou sua fala inicial na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para relembrar sua atuação durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Foi nesse contexto que ele ganhou notoriedade nacional, sendo referido como 'Bessias' na famosa ligação telefônica em que Dilma comunicou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que enviaria o termo de sua posse como ministro da Casa Civil.
Período desafiador e função técnica
Sem mencionar diretamente o episódio da ligação, Messias classificou aquele período como 'desafiador', mas enfatizou que exerceu uma 'função técnica' de assessoramento direto à Presidência da República. 'Uma função técnica, de assessoramento direto da Presidência da República. Foi um período desafiador. Cumpri meus deveres, até o fim daquele ciclo, com fidelidade e responsabilidade profissional', declarou o ministro durante a sabatina.
Repercussão e contexto
A ligação telefônica entre Dilma e Lula, interceptada e divulgada durante as investigações da Operação Lava Jato, tornou-se um dos símbolos do processo de impeachment. Na gravação, Dilma afirma que enviaria o 'termo de posse' de Lula, gerando controvérsia sobre a nomeação. Messias, então assessor jurídico da Presidência, foi identificado como o interlocutor que receberia o documento, sendo apelidado de 'Bessias' pela mídia.
Durante a sabatina, Messias evitou comentar o teor político do episódio, mantendo o foco em sua atuação técnica. Ele destacou que sua conduta sempre foi pautada pela legalidade e pelo cumprimento dos deveres institucionais. A declaração ocorre em meio à análise de sua indicação para o STF, que tem gerado debates sobre sua trajetória e possíveis vínculos políticos.
Próximos passos
A sabatina na CCJ é uma etapa crucial para a aprovação do nome de Messias ao STF. Após a arguição, os senadores votam pela aprovação ou rejeição da indicação. Caso aprovado, o nome segue para o plenário do Senado. Messias conta com o apoio do governo federal e de parte da base aliada, mas enfrenta resistência de setores da oposição que questionam sua atuação no governo Dilma.
O ministro da AGU tem defendido sua independência e capacidade técnica para ocupar a vaga no STF, ressaltando sua experiência em direito constitucional e administrativo. A decisão final cabe ao Senado, que deve votar nos próximos dias.



