Indicado pelo presidente Donald Trump, o economista americano Kevin Warsh assume nesta sexta-feira (21) a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Warsh, de 56 anos, já foi diretor do Fed e possui uma longa trajetória no sistema financeiro, no governo americano e na condução da política monetária, especialmente nas decisões sobre juros.
Formação acadêmica e início de carreira
Além de economista, o novo presidente do Fed é também jurista. Natural de Albany, capital do estado de Nova York, Warsh formou-se em políticas públicas pela Universidade de Stanford, com ênfase em economia e estatística. Posteriormente, concluiu o curso de direito na Universidade Harvard, onde se especializou na relação entre direito, economia e regulação. Realizou ainda estudos complementares em economia de mercado e mercados de capitais na Harvard Business School e no Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Sua carreira profissional começou no setor financeiro, no banco Morgan Stanley, onde atuou na área de fusões e aquisições. Nesse período, assessorou empresas de diversos setores, como indústria, tecnologia e serviços, além de participar da estruturação de operações no mercado de capitais.
Atuação no governo americano
Em 2002, Warsh deixou o setor privado para integrar o governo do então presidente George W. Bush. Na Casa Branca, ocupou os cargos de assistente especial para política econômica e secretário executivo do Conselho Econômico Nacional, aconselhando diretamente o presidente sobre economia, mercados financeiros, sistema bancário e seguros.
Em 2006, foi indicado por Bush para o Conselho de Governadores do Fed, tornando-se, aos 35 anos, o mais jovem membro da história da instituição. Durante seu mandato, representou o Fed no G20 e atuou como emissário para economias asiáticas, além de exercer a função de governador administrativo, responsável pela gestão interna do banco central.
Papel na crise de 2008
Warsh desempenhou papel relevante na condução da política monetária durante a crise financeira de 2008. Ficou conhecido por discursos como “The End of History?” e “The Federal Funds Rate in Extraordinary Times”, nos quais abordou os desafios do sistema financeiro e da política de juros.
Desde que deixou o Fed, em 2011, Warsh atua no meio acadêmico e no mercado financeiro. É pesquisador visitante em economia no Instituto Hoover, da Universidade de Stanford, e professor na Escola de Negócios da mesma instituição. Também é sócio-consultor da gestora de investimentos Duquesne Family Office, ligada ao bilionário Stanley Druckenmiller. Além disso, integra conselhos de administração de empresas como a United Parcel Service e a varejista de tecnologia Coupang. Participa de fóruns econômicos como o G30 e o painel de consultores do Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA.
Indicação de Trump e expectativas
O anúncio de Warsh como novo indicado para presidir o Fed foi feito por Trump em janeiro, e a nomeação foi aprovada pelo Senado em 13 de maio. Warsh substitui Jerome Powell, cujo mandato terminou em 15 de maio. Powell foi alvo de críticas frequentes de Trump, que defendia cortes mais rápidos nos juros para impulsionar a economia. Warsh, por sua vez, é visto como favorável a juros mais baixos e defende reduzir a atuação do Fed, indicando uma postura mais cautelosa em relação a estímulos econômicos fortes.



