Itaú mantém foco em clientes resilientes e reduz crédito para baixa renda
Itaú reduz crédito para baixa renda? CEO explica

O Itaú deve manter ao menos 90% da concessão de crédito concentrada em seu público-alvo ao longo de 2026, conforme declarou o CEO Milton Maluhy Filho em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 6. A estratégia visa preservar a taxa de inadimplência do banco, que é a menor entre os grandes bancos, em 1,9%, em meio ao elevado endividamento das famílias brasileiras.

Foco em capacidade de pagamento

Questionado sobre a faixa de renda do público-alvo, Maluhy Filho esclareceu que o banco prioriza consumidores com elevada capacidade de pagamento, independentemente da renda. “Somos focados em alta e média renda. No entanto, também concedemos crédito para clientes resilientes da baixa renda, como aposentados do INSS. No Itaú Digital, onde estão as rendas mais baixas, pelo menos 10 milhões de clientes são considerados target”, afirmou.

O executivo acrescentou que clientes de média e alta renda podem deixar de ser público-alvo em casos de inadimplência. “Todo o modelo é ajustável. A renda é importante, mas não é determinante. A capacidade de pagamento define o apetite do banco”, disse.

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Qualidade da carteira de crédito

O banco reforçou que a estratégia tem garantido elevada qualidade da carteira. No crédito pessoal, a inadimplência acima de 90 dias é de 5,1%, ante média de 9,3% do mercado. No cartão de crédito, 5,1% dos clientes atrasam a fatura por mais de 90 dias, contra 10,2% do mercado. No financiamento de veículos, o índice de atrasos é de 3,5%, frente a 6,2% dos demais bancos.

Resultados financeiros

Com o controle da inadimplência, o Itaú registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) foi de 24,8%, avanço de 2,3 pontos percentuais.

Analistas da Genial Investimentos consideram o resultado sólido, com avanço da rentabilidade e manutenção da inadimplência em cenário macroeconômico desafiador. A corretora estima pagamento de dividendos de R$ 36,4 bilhões em 2026.

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