
O clima em Brasília está mais tenso que fila de banco em dia de pagamento. A oposição soltou o verbo — e os números — acusando o governo de plantar uma bomba-relógio no Orçamento da União. Mas Fernando Haddad, o ministro da Fazenda, não ficou quieto. Rebateu. E com dados na mesa.
Numa jogada que mistura contabilidade e política, a oposição apontou que o governo Lula estaria criando uma despesa extra de R$ 23,6 bilhões em 2025, furado o teto de gastos. Um rombo. Uma armadilha. Haddad, claro, nega. E diz que tudo não passa de um mal-entendido proposital.
O X da Questão: R$ 23,6 Bi ou Mero Chute Contábil?
O cerne da treta está num dispositivo do projeto de lei complementar (PLP) que trata do novo arcabouço fiscal. Nele, há uma previsão de que despesas com precatórios — aquelas dívidas judiciais antigas — possam ser pagas fora do limite do teto. A oposição somou todas as ações judiciais possíveis e chegou a esse número assustador.
Mas Haddad foi categórico. Disse, com todas as letras, que isso é "interpretação fantasiosa". Em outras palavras: puro teatro. A justificativa? Só entram nessa conta os precatórios já reconhecidos pela União, não qualquer ação judicial futura. A diferença é abissal.
E Agora, José? O Plano B de Haddad
Longe de apenas negar, o ministro apresentou sua cartada. Garantiu que, se for necessário, o governo enviará um novo projeto ao Congresso explicitando que apenas os precatórios já existentes serão considerados. Jogada de mestre? Ou reconhecimento tácito de uma falha na redação?
O fato é que a discussão revela um jogo pesado. De um lado, a oposição tenta vincular o governo a um eventual rombo futuro. Do outro, o Planalto trabalha para fechar a torneira de críticas e garantir que a nova regra fiscal — sucessora do Teto de Gastos — nasça com credibilidade.
Haddad ainda soltou uma frase de efeito: "Eles querem confundir a opinião pública". E completou, com ironia fina, que a oposição "nunca se preocupou com o teto de gastos quando estava no governo". Tiroteio verbal que vai esquentar ainda mais o debate econômico nas próximas semanas.
Uma coisa é certa: a briga pelo controle da narrativa fiscal está só começando. E o Congresso Nacional será o palco principal desse cabo-de-guerra bilionário.