Por que Luciano Huck está correto sobre o Bolsa-Família, segundo economistas
O empresário e apresentador Luciano Huck gerou polêmica ao afirmar que o Bolsa-Família não incentiva os beneficiários a buscar independência financeira. Agora, especialistas em mercado de trabalho corroboram sua visão, apontando que o programa reduziu artificialmente a taxa de desemprego e a oferta de mão de obra.
Estudos apontam correlação entre benefício e queda na oferta de trabalho
Desde o evento da Esfera Brasil, em 23 de maio, Huck é criticado por sugerir que o Bolsa-Família não estimula a saída do programa. No entanto, estudos recentes mostram que ele está certo. Daniel Duque, economista da FGV, publicou em 2024 que, após a pandemia, o aumento do benefício para 600 reais reduziu a participação de trabalhadores de baixa qualificação no mercado.
José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, calcula que o programa retirou cerca de 2 milhões de pessoas da força de trabalho, reduzindo a taxa de participação de 63,3% para 61,8%. Isso significa menos pessoas trabalhando ou buscando emprego.
Impacto na taxa de desemprego
Camargo também estima que, sem o aumento do Bolsa-Família, a taxa de desemprego seria 1,7 ponto percentual maior, pois mais pessoas precisariam de renda complementar. O benefício, que era de 190 reais antes da pandemia, subiu para 600 reais, desestimulando a busca por trabalho.
Os economistas concluem que, embora o programa alivie a pobreza, ele reduz a oferta de mão de obra, especialmente entre os menos qualificados, criando um desincentivo ao trabalho.



