Bolsonaro prepara lista de pré-candidatos apoiados para eleições de outubro
Bolsonaro prepara lista de pré-candidatos apoiados

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve divulgar uma lista com os nomes dos pré-candidatos que apoiará nas eleições de outubro, já que cumpre prisão domiciliar e está impedido de participar das campanhas políticas de seus aliados. De acordo com pessoas próximas a Bolsonaro, a ideia é indicar ao menos os pré-candidatos ao Senado do PL, mas a divulgação pode se estender aos candidatos a governos estaduais e até a nomes de outros partidos que tenham o aval do ex-presidente.

Objetivo da lista

A lista serviria como orientação para resolver disputas internas do bolsonarismo em alguns estados, especialmente diante do isolamento político de Bolsonaro. Parte dessas rivalidades envolve nomes que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) pretende emplacar enquanto presidente do PL Mulher. A estratégia é delimitar as opções de voto dos bolsonaristas para evitar que os eleitores escolham outros pré-candidatos de oposição que não os abençoados pelo clã, chamados por um interlocutor do ex-presidente de "caroneiros".

Acordo interno no PL

Um acordo da cúpula do PL estabeleceu que Bolsonaro escolheria os candidatos do partido ao Senado, enquanto o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, definiria os nomes aos governos. Esse processo vem sendo feito desde a janela partidária, em março, e só deve terminar nas convenções, entre julho e agosto. Neste ano, estão em jogo 54 das 81 cadeiras do Senado, portanto cada estado escolhe dois representantes. O objetivo de Bolsonaro é eleger até 35 senadores aliados e, com os parlamentares que estão em meio de mandato, alcançar maioria necessária para promover impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

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Impacto da prisão de Bolsonaro

A prisão de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, dificultou seu papel na articulação política de Flávio e do PL. Até o fim de março, quando passou pela prisão domiciliar, pela Polícia Federal e pela Papudinha, o ex-presidente podia receber visitas e era procurado por pré-candidatos em busca de apoio. Nessas reuniões, eles discutiam o cenário eleitoral de cada estado. Depois de ser internado com pneumonia, Bolsonaro foi autorizado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes a cumprir pena em casa, porém mais isolado. O ex-presidente só pode ter contato com Michelle, os filhos, seus médicos e advogados. A lista de Bolsonaro é vista como uma forma de externar a vontade do ex-presidente em relação às eleições, o que antes era transmitido por ele diretamente aos seus escolhidos.

Disputas regionais

Depois de visitar o ex-presidente no último dia 16, Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, afirmou que eles haviam discutido alguns palanques. "Falamos bastante sobre política e também sobre nomes de possíveis senadores. Em breve teremos novidades", publicou. Em fevereiro, Carlos havia dito que o pai iria elaborar a lista. Santa Catarina é um dos estados onde houve disputas que a lista ajudaria a dirimir, na visão de bolsonaristas. O PL havia definido que apoiaria Carlos e o senador Esperidião Amin (PP-SC) para o Senado, mas Michelle defendia a deputada Caroline de Toni (PL-SC) para o posto e convenceu o marido a garantir a legenda para sua aliada. Recentemente, Michelle vem fazendo acenos a Esperidião em mais um sinal de desavença com os enteados.

Polêmica em São Paulo

A principal polêmica diz respeito à disputa em São Paulo, onde o PL vai apoiar Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) para o Senado, enquanto Ricardo Salles (Novo) corre por fora. A escolha de André do Prado, preferido de Valdemar e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), teve o aval do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que preteriu outros nomes mais ideológicos. Por isso, a definição veio acompanhada de explicações de Eduardo ao eleitorado bolsonarista, principalmente nas redes sociais. Nesse caso, a lista de Bolsonaro avalizando a pré-candidatura de André é a principal aposta de auxiliares de Flávio para conter as críticas internas. Como mostrou a Folha, a decisão de Eduardo e Flávio não teve aval público do pai, cujo preferido para a vaga era o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), o que fomentou a acusação de que André não representava o bolsonarismo, mas sim o centrão.

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Ceará e Mato Grosso do Sul

No Ceará, o PL caminha para uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) ao governo, enquanto os candidatos ao Senado seriam Alcides Fernandes (PL) e Capitão Wagner (União Brasil). Michelle, no entanto, insiste para que a segunda candidata ao Senado seja a vereadora Priscila Costa (PL), que enfrenta resistência na direção local do partido. Nesse caso, a lista de Bolsonaro poderia legitimar a candidatura da vereadora. No Mato Grosso do Sul, a orientação de Bolsonaro serviria para arbitrar a disputa entre três nomes do PL pelas duas vagas ao Senado: Marcos Pollon, Capitão Contar e Reinaldo Azambuja. Pollon, que é apoiado pela ex-primeira-dama, tem a seu favor um bilhete escrito por Bolsonaro em que o ex-presidente diz que ele é seu candidato devido ao seu "caráter, honra e dedicação".