Crise Política em Santa Catarina Expõe Conflitos na Família Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro desencadeou uma confusão política significativa em Santa Catarina ao impor a candidatura de seu filho, Carlos Bolsonaro, ao Senado pelo Partido Liberal. Essa decisão, tomada sem consulta prévia aos aliados locais, resultou na saída da deputada federal Caroline De Toni do partido, que se sentiu rejeitada na disputa pela vaga.
Deputada De Toni Abandona o PL Após Ser Preterida
Caroline De Toni, considerada a campeã de votos do PL catarinense, anunciou sua saída do partido nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026. Ela havia sido eleita em 2018 com mais de 109 mil votos, aproveitando o êxito eleitoral de Bolsonaro, e dobrou sua votação em 2022, alcançando 227 mil votos, o equivalente a 5,7% do total no estado. Sua decisão de deixar o PL reflete o descontentamento com a imposição familiar de Bolsonaro, que priorizou a candidatura do filho Carlos, ex-vereador no Rio de Janeiro, sobre uma figura política consolidada em Santa Catarina.
Rejeição Eleitoral e Crise Familiar Emergem
Uma pesquisa realizada em dezembro pelo grupo jornalístico ND revelou uma alta rejeição à candidatura de Carlos Bolsonaro, com 60,5% dos eleitores desaprovando sua indicação. Além disso, 60,9% sugeriram que o ex-presidente deveria apoiar candidatos catarinenses nas eleições deste ano. Em um movimento que agrava a situação, Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente, anunciou publicamente seu apoio à deputada De Toni, contra o próprio filho Carlos, evidenciando uma crise familiar profunda que transcende a esfera política.
Estratégia Partidária Centrada na Família Bolsonaro
Bolsonaro, mesmo em prisão, tem definido as prioridades do Partido Liberal com foco na própria família:
- Escolheu o filho-senador Flávio Bolsonaro como candidato presidencial do partido.
- Ordenou que Carlos renunciasse ao mandato de vereador no Rio de Janeiro, onde atuava há 25 anos, para migrar para Santa Catarina e concorrer ao Senado.
- Decidiu que o filho-vereador Jair Renan, em Camboriú, Santa Catarina, seja candidato a deputado federal.
- Designou Michelle Bolsonaro como candidata ao Senado pelo Distrito Federal.
Essa estratégia, que retirou do jogo a principal votação do PL no estado, alterou os planos eleitorais em Santa Catarina, onde inicialmente se previa uma aliança com o Progressistas para a reeleição do senador Esperidião Amin e a candidatura de De Toni.
Impactos e Futuro da Disputa Eleitoral
Com a saída de Caroline De Toni do PL, ela deverá se candidatar por outro partido, enfrentando diretamente Carlos Bolsonaro na disputa por uma das duas vagas ao Senado em Santa Catarina. A rejeição significativa do eleitorado catarinense à candidatura de Carlos, combinada com o apoio de Michelle Bolsonaro à rival, sugere que a crise não é apenas política, mas também familiar, podendo influenciar os resultados das eleições e a coesão do Partido Liberal no estado.