Alckmin avisa petistas: não será candidato se sair da chapa de Lula em 2026
Alckmin não será candidato se sair da chapa de Lula

Alckmin declara a petistas que não concorrerá a cargo algum se deixar chapa de Lula

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), já transmitiu a dirigentes petistas que não tem intenção de se candidatar a nenhum cargo caso seja retirado da chapa em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscará a reeleição em 2026. De acordo com fontes próximas ao vice-presidente ouvidas pela reportagem, a conversa não representou uma ameaça de rompimento, mas sim uma afirmação de apoio incondicional a Lula, mesmo que Alckmin não dispute nenhuma posição eleitoral.

Petistas projetam candidatura de Alckmin em São Paulo para fortalecer campanha de Lula

Dentro do PT, há um sonho recorrente: ver Alckmin, que governou São Paulo em dois períodos (2001-2006 e 2011-2018), concorrendo a governador ou senador no estado. A ideia é formar uma chapa forte com o petista Fernando Haddad, ministro da Fazenda, e a emedebista Simone Tebet, ministra do Planejamento, visando mobilizar o maior eleitorado do Brasil em prol de Lula. No entanto, tanto Alckmin quanto Haddad têm manifestado publicamente sua relutância em se candidatar, o que complica os planos dos aliados.

Reedição da chapa Lula-Alckmin era tida como certa, mas sinais de mudança surgem

Até o final do ano passado, a reedição da chapa presidencial Lula-Alckmin era considerada quase inevitável. A proximidade entre os dois, construída durante as eleições de 2022, se fortaleceu, e o PSB pressiona ativamente para que Alckmin permaneça na vice-presidência. Recentemente, porém, Lula começou a dar indícios nos bastidores de que poderia revisar esse arranjo. Na quinta-feira (5), o presidente deixou isso claro em entrevista ao UOL, afirmando: "Temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo".

Estratégia de Lula pode incluir oferta da vice a outro partido para ampliar coligação

O plano de Lula, com uma possível alteração em sua chapa, não se limita a fortalecer a campanha em São Paulo. Ele também poderia oferecer a vice-presidência a outro partido, como o MDB, como forma de agregar mais apoio à sua coligação nacional. No entanto, essa hipótese enfrenta obstáculos significativos. Conforme revelado pela coluna Painel da Folha de S.Paulo, a cúpula do MDB está se aproximando do PSD, que conta com três pré-candidatos à presidência. Dos 27 diretórios estaduais do partido, 17 estariam distantes de Lula e apenas 10 próximos ao governo petista.

Aliados destacam papel de Alckmin na aproximação com empresários e risco de afastar PSB

Aliados de Alckmin argumentam que sua presença na chapa ajuda Lula a se conectar com setores que tradicionalmente resistem ao petista, como o empresariado e parcelas do agronegócio. Alckmin, que acumula a Vice-Presidência com o cargo de ministro da Indústria e Comércio, mantém contato diário com grandes exportadores, facilitando pontes políticas. Além disso, avaliam que retirar Alckmin da chapa poderia, em última instância, afastar o PSB da aliança com Lula, um risco estratégico considerável.

Lula e Alckmin ainda não discutiram mudanças, mas lealdade é fator crucial

Até o momento, Lula e Alckmin não teriam conversado sobre a possibilidade de uma mudança no arranjo político vigente. Caso o presidente decida fazer a troca, será uma discussão delicada. Lula frequentemente elogia Alckmin publicamente, considerando-o um aliado qualificado e leal. Essa lealdade é apontada por petistas e pessebistas como um dos principais motivos para mantê-lo na vice-presidência. O PT carrega um trauma relacionado ao tema: Michel Temer (MDB), quando vice de Dilma Rousseff (PT), articulou seu afastamento e assumiu a presidência em 2016, um episódio que ainda ecoa nas decisões partidárias.

Em meio a essas especulações, a ex-ministra Damares Alves denunciou o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, por autorizar repasses de R$ 1 milhão para escolas de samba ligadas à Liga das Escolas de Samba, alegando uso indevido da máquina pública para promoção pessoal e possível campanha eleitoral antecipada em favor de Lula. Esse caso adiciona uma camada extra de complexidade ao cenário político pré-eleitoral.