Chuva não impede Corrida dos Bonecos Gigantes de Olinda; irmão de heptacampeão vence
Chuva não impede Corrida dos Bonecos Gigantes de Olinda

Chuva forte não desanima foliões na Corrida dos Bonecos Gigantes de Olinda

A tradicional Corrida dos Bonecos Gigantes de Olinda, evento pré-carnavalesco que atrai centenas de participantes e espectadores, ocorreu neste sábado (7) mesmo com uma intensa chuva que caiu antes do início da prova. Apesar do mau tempo, que causou um atraso de aproximadamente uma hora na largada, atletas e foliões transformaram as ladeiras da cidade histórica em um palco de festa e resistência cultural.

Disputa acirrada sob a chuva e categorias diversificadas

Por volta das 13h, após o atraso, a corrida finalmente teve início. Os participantes carregaram os bonecos, que podem pesar até 20 quilos, em um trajeto de pouco mais de 200 metros, saindo da Praça Laura Nigro até a prefeitura de Olinda. As fantasias, muitas delas encharcadas, não impediram a animação e a competição.

Os corredores foram divididos em duas categorias principais:

  • Bonecos leves: com peso entre 10 e 15 quilos.
  • Bonecos pesados: acima de 15 quilos.

Além disso, pelo terceiro ano consecutivo, ocorreu a Corrida das Mascotes, uma modalidade onde mulheres carregam representações dos times do Sport, Náutico e Santa Cruz, adicionando um toque esportivo e regional ao evento.

Vitória familiar: irmão de heptacampeão conquista título

Na categoria pesada, o grande vencedor foi Wallisson Bruno Costa, de 43 anos, que participa da corrida desde 2012. Sua vitória carrega um significado especial, pois ele é irmão de William Henrique Costa, heptacampeão da prova e vencedor da última edição. Wallisson, que recebeu um prêmio de R$ 2,5 mil, celebrou não apenas a conquista pessoal, mas a continuidade de um legado familiar.

"É muito importante participar dessa corrida, até porque a família ama a tradição. Eu corro desde 2012, passei já o bastão para o meu irmão, ele vem sendo campeão há sete anos consecutivos. Venho nessa pegada, sempre na retaguarda dele para manter essa história viva", declarou o campeão.

A comemoração incluiu uma videochamada com William, que mora em Gênova, na Itália, desde 2024 e não pôde comparecer este ano. "Está na família. Sabia [que iria vencer], estava preparado. Terminei de conversar com ele agora. Falei para ele que o legado continua", acrescentou Wallisson, emocionado.

Foliões resistem ao mau tempo e celebram a tradição

Centenas de foliões acompanharam a prova, muitos protegidos por capas de chuva ou sombrinhas improvisadas, demonstrando que a paixão pela cultura local supera as intempéries. Inaldo Ferreira, morador de Olinda, destacou que a chuva trouxe uma atmosfera única ao evento.

"Eu não era muito de curtir carnaval não. Mesmo morador, não curtia, vivia só aqui de rolê. Hoje eu parei para ter essa oportunidade de ver os bonecos, os homens de fé daqui. Já conhecia os bonequeiros e os bonecos também, desde pequenininho. Foi uma das primeiras vezes que teve chuva assim, hoje foi diferente", relatou.

Visitantes de cidades vizinhas, como os recifenses Hugo Pinto e Matheus Teixeira, transformaram a corrida em uma tradição anual. "Nem a chuva desanimou. Teve trovão, teve tudo, mas a gente ficou para ver a corrida, que é muito importante. Eu vim no ano retrasado. Ano passado, eu não consegui, mas queria vir. Virou uma tradição da gente, todo sábado antes do carnaval, vir para cá", afirmou Hugo.

Matheus, por sua vez, aproveitou para torcer pela mascote do Santa Cruz, carregada por Maria Vitória, de 16 anos, vencedora da Corrida das Mascotes. "Segundo ano que eu venho. Vim para ver o Santa Cruz, a gente já perde muito, está na hora de começar a vencer", brincou o folião, mostrando o espírito descontraído que permeia o evento.

Evento reforça importância cultural e comunitária

A Corrida dos Bonecos Gigantes de Olinda, mesmo enfrentando desafios climáticos, reafirmou seu papel como um símbolo de resistência e alegria no calendário cultural pernambucano. A vitória de Wallisson Bruno Costa, ligada a uma história familiar de conquistas, e a presença massiva de foliões, muitos deles locais, evidenciam o profundo vínculo da comunidade com essa tradição pré-carnavalesca.

O evento não apenas entreteve, mas também fortaleceu laços sociais e culturais, provando que, em Olinda, a chuva pode molhar as roupas, mas nunca apagar o brilho das tradições populares.