SpaceX protocola IPO e pode se tornar a maior estreia da bolsa dos EUA
SpaceX protocola IPO e pode ser a maior estreia da bolsa

A SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, deu um passo importante para entrar na bolsa de valores dos Estados Unidos. O pedido de oferta pública inicial (IPO) foi protocolado na quarta-feira (20), com a expectativa de que a estreia ocorra em meados de junho. A empresa estima que seu valor de mercado seja de US$ 1,25 trilhão (cerca de R$ 6 trilhões), e as ações devem ser negociadas na Nasdaq sob o código SPCX.

O que é um IPO?

Um IPO é a primeira oferta pública de ações de uma empresa, que passa a ser negociada na bolsa de valores. O objetivo é captar recursos para expandir operações, investir em projetos ou reduzir dívidas. No caso da SpaceX, a abertura de capital era antes considerada improvável pelo próprio Musk, mas agora é vista como uma estratégia para organizar seus negócios e acessar mais capital.

Impacto do IPO na influência de Musk

Caso a operação se concretize, Musk, já o homem mais rico do mundo, poderá se aproximar do posto de primeiro trilionário da história. Além disso, a SpaceX deixaria de ser vista apenas como uma empresa de lançamentos espaciais para atuar como um conglomerado com diferentes serviços e fontes de receita. Em fevereiro, Musk anunciou a compra da xAI, sua empresa de inteligência artificial, pela SpaceX, em um negócio que também envolveu a Starlink e o X.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Segundo Pedro Waengertner, CEO da ACE Ventures, “o que Musk busca com o IPO é organizar melhor todos esses negócios que ele criou, além de ganhar acesso a mais capital e ao mercado de varejo. Estamos falando, provavelmente, do maior IPO da história”.

Projetos ambiciosos exigem capital público

De acordo com Alvaro Machado Dias, professor da Unifesp e especialista em IA, projetos como a Starship — considerada a maior nave espacial do mundo —, além dos planos de levar data centers para o espaço e avançar na industrialização lunar, exigem um volume de investimento que só o mercado público consegue oferecer.

Com o IPO, os investidores comuns terão acesso a ações com direito a um voto, mas haverá uma classe especial de ações destinada a Musk, com 10 votos por papel. “Essa estrutura permitirá que ele controle cerca de 85% dos votos da companhia, mantendo o domínio total sobre os rumos do negócio”, explica Diogo Cortiz, professor da PUC-SP especializado em tecnologia e inovação.

Empresa ainda opera com prejuízo

Em 2025, a SpaceX gerou US$ 18,67 bilhões em receita, sendo boa parte desse valor vinda da Starlink, que já tem presença global consolidada. No entanto, a empresa registrou um prejuízo de US$ 4,94 bilhões no ano passado, impulsionado pelos altos custos com pesquisa e desenvolvimento, de acordo com o jornal The Wall Street Journal.

Segundo o documento enviado ao regulador dos EUA, a SpaceX faturou em 2025: US$ 11,39 bilhões com conectividade (Starlink), US$ 4,09 bilhões com espaço (SpaceX) e US$ 3,20 bilhões com IA (xAI/X). Enquanto a Starlink responde por quase toda a receita, as demais operações consomem dinheiro em ritmo acelerado, e as rodadas de investimento privado já não sustentam o negócio com a mesma facilidade, analisa Alvaro Machado Dias.

Influência global e geopolítica

Um possível “super IPO” pode ampliar ainda mais a influência de Elon Musk e facilitar o avanço de pautas de interesse dos seus negócios, avalia Diogo Cortiz. O movimento acontece em um momento estratégico da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, em que a SpaceX ocupa um papel central em áreas críticas como exploração espacial e inteligência artificial.

“Talvez ele se torne o primeiro trilionário da história da humanidade, controlando uma empresa poderosa e com diferentes frentes de atuação”, afirma o especialista. Álvaro Machado Dias avalia que o IPO também coloca uma estrutura estratégica para a defesa dos EUA sob a lógica do mercado financeiro, sem que o governo reduza sua dependência da empresa, criando uma espécie de “tecnoabsolutismo”, com poder dividido entre Musk e o Estado americano.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar