O CEO do Santander Brasil, Mario Leão, afirmou que o novo programa do governo federal para reduzir o endividamento das famílias, o Desenrola 2.0, chega em um momento oportuno. A declaração foi feita nesta quarta-feira (29), durante a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026, que registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões, queda de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025 e ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que previa R$ 4 bilhões. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, a retração foi de 7,3%.
Desenrola 2.0: timing adequado
Leão destacou que o diagnóstico do governo está correto, pois as famílias estão endividadas e a renda disponível não evolui. "É um timing bom porque as famílias estão endividadas e a renda disponível não está evoluindo. O diagnóstico do governo está absolutamente correto, o nível de renda disponível está crítico. O programa é de fato necessário, está sendo bem desenhado junto aos bancos", afirmou. O executivo descartou caráter eleitoreiro, mas reconheceu que a medida pode beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro, renovando o recorde histórico da série iniciada em 2005. O percentual iguala o pico de julho de 2022. "Apesar da inflação cair e a economia crescer, a renda disponível não evolui. As famílias estão sobrealavancadas e sobreempregadas", completou Leão.
Impacto no balanço e rentabilidade
O CEO indicou que o Desenrola 2.0 pode gerar efeitos positivos já no segundo trimestre, com renegociação de dívidas com atraso a partir de 60 dias, aliviando provisões e aumentando receitas. A rentabilidade medida pelo ROAE recuou 1,5 ponto percentual, para 16%. Entre os fatores, estão menos dias úteis, sensibilidade a juros e câmbio, e maior provisão para calotes. O lucro antes de impostos somou R$ 4,583 bilhões, alta de 5,4% ante o fim de 2025, mas queda de 3,5% em 12 meses.
A carteira de crédito totalizou R$ 705,6 bilhões em março, recuo de 0,4% no trimestre, mas alta de 3,4% no ano. O destaque foi o crédito ao consumo (14,2% em 12 meses), imobiliário (10,6%) e cartões (9,1%).
Inadimplência em alta
A inadimplência acima de 90 dias subiu 0,2 ponto percentual no trimestre e 0,6 ponto no ano, para 3,3% da carteira. Entre pessoas físicas, o índice é de 4,9%; entre jurídicas, 1,8%. Grandes empresas têm apenas 0,2% de inadimplência, enquanto PMEs registram 6%. Leão afirmou que o banco prioriza créditos menos arriscados e evita clientes de baixa renda sem carteira assinada, mas nega saída desse segmento: "Fazemos redução técnica, cirúrgica, em segmentos onde não conseguimos rentabilidade".
A provisão contra devedores duvidosos (PDD) cresceu 3,9% no trimestre, para R$ 6,344 bilhões, mas caiu 0,7% no ano. A margem financeira foi de R$ 16 bilhões, alta trimestral de 3,1% e queda anual de 0,7%.
Mudança de comando e nova sede
O Santander Brasil passa por transição: em julho, Mario Leão deixará a presidência para Gilson Finkelsztain, atual presidente da B3. Leão, que está há 11 anos no banco, sendo 5 como CEO, afirmou: "Recebi um banco espetacular e trabalhei para crescer de forma diferente. Este ano teremos lucro anual maior que 2021. O ROAE não, isso teremos que esperar até 2028". Ele considera factível superar 20% de ROAE em 2028.
Em fevereiro, o banco anunciou a transferência da sede para o Itaim Bibi, zona sul de São Paulo, prevista para o segundo semestre de 2028. A mudança deve reduzir gastos recorrentes ao consolidar operações de outras duas sedes.
Raio-X do Santander Brasil no 1º trimestre de 2026
- Lucro líquido: R$ 3,8 bilhões
- ROAE: 16%
- Funcionários: 49.107
- Agências: 868
- Clientes: 75,2 milhões
- Fundação: 1982
- Concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Nubank



