A BradSaúde, nova empresa de saúde do Bradesco, está prestes a estrear na B3 por meio de um IPO reverso, marcando um passo ousado para demonstrar a força de seu modelo integrado. Com faturamento de 52 bilhões de reais e lucro de quase 4 bilhões, a companhia já nasce como uma gigante do setor, reunindo todos os negócios de saúde do banco. A estreia na bolsa, prevista para 30 de abril, colocará à prova as virtudes e os desafios dessa empreitada.
Nasce uma gigante irreplicável
Durante a teleconferência de fevereiro que anunciou a criação da BradSaúde, o termo “irreplicável” foi repetido quatro vezes pelo CEO Carlos Marinelli. A empresa já detém liderança em faturamento nos segmentos de planos de saúde e odontológicos, com 3,9 milhões e 9,3 milhões de beneficiários, respectivamente. Além disso, conta com 40 mil corretores e a capilaridade da rede Bradesco para expandir sua base de clientes.
IPO reverso como estratégia
A BradSaúde utilizou o chamado IPO reverso para listar suas ações na bolsa. A operação foi montada sobre a base acionária da Odontoprev, da qual o Bradesco já detinha 54%. O código de negociação será SAUD3. A nova empresa incorpora ainda participações na Bradesco Saúde, Atlântica Hospitais, Grupo Fleury, Meu Doutor Novamed e Orizon.
Eficiência operacional e corte de custos
A integração dos negócios promete ganhos de eficiência. Atualmente, o modelo fragmentado limita o acesso a informações cruciais, como prontuários. Com a nova estrutura, a BradSaúde poderá implementar medidas preventivas e controlar custos assistenciais. As despesas administrativas devem cair de 30% a 50%, segundo analistas, aliviando a pressão da inflação médica, que supera a média do país.
Geração de novas receitas
Além de cortar despesas, a BradSaúde busca ampliar receitas por meio da oferta cruzada de produtos. Clientes de planos de saúde poderão contratar serviços odontológicos e vice-versa, potencialmente adicionando 18 milhões de novos contratos. A empresa também mira pequenas e médias empresas, consideradas uma força motriz do setor. O mercado endereçável soma 435 bilhões de reais, e a base de clientes pode chegar a 12 milhões de beneficiários em oito anos.
Valor para os acionistas
A Odontoprev, que cederá seu lugar na B3, é avaliada em cerca de 9 bilhões de reais. O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, estima que a BradSaúde pode valer até 50 bilhões de reais a mais. O BTG Pactual calcula um valor implícito de 56 bilhões de reais, com 49 bilhões provenientes da área de saúde e 7 bilhões da odontologia.
Consolidação do setor e desafios
A criação da BradSaúde reforça a tendência de consolidação no setor de saúde suplementar. O número de operadoras caiu 39% na última década, passando de 1.095 para 668. Cerca de 20% das empresas estão no vermelho, e especialistas preveem que o Brasil terá pouco mais de 500 operadoras até 2030. No entanto, o histórico de fusões, como a da Hapvida com a Intermédica, que enfrentou dificuldades e gerou atritos entre acionistas, serve de alerta. A BradSaúde precisa executar sua integração com cuidado para evitar os mesmos erros.



