Vereadora trans de Porto Alegre denuncia Ratinho ao MPF por declarações transfóbicas
Vereadora trans denuncia Ratinho ao MPF por transfobia

Vereadora trans de Porto Alegre protocola denúncia contra Ratinho no MPF por declarações transfóbicas

A vereadora Natasha Ferreira (PT-RS), uma das duas primeiras mulheres trans eleitas para a Câmara Municipal de Porto Alegre em 2024, formalizou uma representação contra o apresentador Ratinho no Ministério Público Federal (MPF). A ação judicial ocorre após acusações públicas feitas pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que também moveu um processo cível solicitando indenização de R$ 10 milhões ao apresentador e ao SBT.

Declarações em programa nacional geram revolta e ação legal

O caso teve início na quarta-feira (11), quando Ratinho afirmou, durante seu programa transmitido em rede nacional pelo SBT, que Erika Hilton "não é mulher, ela é trans". As declarações foram amplamente criticadas por ativistas e políticos como um discurso de ódio e discriminação contra a população transgênero.

Em entrevista, Natasha Ferreira expressou sua expectativa de que o apresentador seja punido pelo crime de transfobia e fez um apelo por uma retratação pública. "Ele tem uma concessão pública e na concessão não se pode fazer apologia à discriminação. Estamos pedindo, na verdade, a retratação dele, mas também que seja punido por crime de transfobia", declarou a vereadora.

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Natasha ainda enfatizou que o caso transcende a figura individual de Erika Hilton: "Entendemos que isso não é somente sobre a Erika, mas é usar um espaço público que tem alcance nacional para destilar ódio contra as pessoas trans".

Documento protocolado no MPF detalha acusações de indução à discriminação

Na representação assinada por Natasha Ferreira na condição de presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana da Câmara Municipal de Porto Alegre, a parlamentar argumenta que as declarações de Ratinho ultrapassam os limites do exercício legítimo da opinião.

O texto protocolado afirma: "Tais declarações não constituem mera crítica política ou exercício de opinião, mas sim uma indução intencional à discriminação por meio de desinformação. Ao reduzir a condição feminina a processos fisiológicos reprodutivos, o apresentador exclui deliberadamente as mulheres trans da categoria de 'mulheres', buscando apagar sua existência jurídica e social e, por extensão, restringir seus direitos políticos".

A vereadora, que atuou como líder do PT no Legislativo porto-alegrense até o final do ano passado, também rebateu os argumentos biológicos utilizados pelo apresentador: "Ele fala sobre útero, sobre a questão da genitália e a gente precisa lembrar que nem todas as mulheres têm útero, mulheres muitas vezes retiram seio e nem todas as mulheres podem ser mães de forma biológica".

SBT se posiciona e afirma que analisará o caso internamente

Em resposta às controvérsias, o SBT emitiu uma nota oficial se distanciando das declarações de Ratinho: "O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores".

O caso segue sob análise do Ministério Público Federal, enquanto o processo cível movido por Erika Hilton avança na Justiça. A representação de Natasha Ferreira reforça a luta contra a transfobia no Brasil e busca estabelecer precedentes jurídicos para proteger os direitos da comunidade LGBTQIA+.

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