Moradores de Marabá fecham ponte em protesto contra ordem de desocupação judicial
Protesto em Marabá fecha ponte contra despejo de famílias

Protesto em Marabá fecha ponte rodoferroviária contra ordem de despejo

Na manhã desta terça-feira (10), moradores do Residencial Magalhães em Marabá, sudeste do Pará, bloquearam a ponte rodoferroviária na BR-222 em um ato de protesto que paralisou o trânsito na região. A manifestação foi uma resposta direta a uma ordem judicial que determinou a desocupação do conjunto habitacional em um prazo de 15 dias, deixando mais de 200 famílias em situação de desespero.

Interdição total e impacto no tráfego

Os manifestantes utilizaram pneus e cones para fechar completamente a rodovia nas primeiras horas da manhã, interrompendo a ligação crucial entre os núcleos São Félix e Nova Marabá. A ação resultou em engarrafamentos quilométricos nos dois sentidos da BR-222, com motoristas relatando atrasos significativos em seus compromissos diários.

A Polícia Militar e o Departamento de Trânsito do Pará (Detran) acompanharam de perto o protesto, que inicialmente causou uma paralisação total. Posteriormente, o bloqueio foi ajustado para funcionar no sistema pare e siga, liberando o tráfego a cada 10 minutos para minimizar o caos, mas os efeitos já eram sentidos por centenas de pessoas.

Vozes dos afetados: desespero e incerteza

Entre os moradores do residencial, há histórias de vulnerabilidade que amplificam a gravidade da situação. Francisco Santos, pedreiro e um dos organizadores do protesto, destacou a falta de diálogo com as autoridades. "A gente está aqui para que alguma autoridade venha dialogar com a gente. As famílias não têm para onde ir", afirmou ele, ecoando o sentimento coletivo de abandono.

Anelita de Souza, atendente de supermercado, foi uma das prejudicadas pelo bloqueio. "A manifestação me atrasou para chegar no trabalho. Eu avisei lá o que estava acontecendo", relatou ela, exemplificando como o protesto afetou não apenas os manifestantes, mas também a comunidade local.

Mateus Rufino, auxiliar de farmácia, expressou sua frustração ao perder compromissos importantes. "Agora vou chegar com atraso e nem sei como vou explicar isso", desabafou ele, destacando os impactos econômicos e sociais da interdição.

Contexto judicial e apelo das famílias

A notificação de desocupação foi entregue no dia 7 de fevereiro por uma oficial da Justiça Federal, com apoio policial, marcando a fase de execução de um processo judicial que se arrasta desde 2019. As famílias ocupam irregularmente o residencial e agora enfrentam o risco iminente de despejo, sem alternativas de moradia à vista.

Casos como o de Antônia Maria Lustosa, aposentada com um filho autista, ilustram a dimensão humana do conflito. "Eu tenho um filho autista e com essa ordem de desocupação eu não sei o que fazer, porque não tenho para onde ir", disse ela, em um apelo emocionado por compreensão e solução.

Os manifestantes afirmam que manterão a mobilização até conseguirem uma resposta concreta das autoridades sobre uma solução para o impasse habitacional. O protesto em Marabá reflete uma crise mais ampla de moradia e direitos sociais, com famílias exigindo não apenas a suspensão da ordem de despejo, mas também políticas públicas que garantam abrigo digno.