Pai descreve sofrimento do filho após caso de racismo em escola de Maceió
Paulo Jorge da Silva Junior, pai de um estudante de 13 anos vítima de racismo por um professor de matemática em um colégio particular no bairro Benedito Bentes, em Maceió, revelou que o filho está profundamente traumatizado e se recusa a retornar à instituição de ensino. O adolescente, que é negro, foi comparado a um chimpanzé durante uma aula, episódio que ocorreu no dia 12 de fevereiro deste ano, mas só ganhou ampla repercussão após a abertura de um inquérito policial.
Trauma psicológico e busca por justiça
Segundo o relato emocionado do pai, o garoto sempre voltava feliz da escola, mas naquele dia específico chegou em casa chorando e muito abatido. "Era o primeiro ano que ele estava indo sozinho para a escola e sempre voltava muito feliz. Nesse dia chegou triste. Quando perguntamos o que tinha acontecido, ele caiu aos prantos e contou que o professor apontou para um desenho de macaco no caderno e disse que parecia com ele", detalhou Paulo Jorge em entrevista à TV Asa Branca Alagoas.
O pai expressou preocupação com a saúde mental do filho, afirmando: "Eu tenho quase certeza que a gente vai ter que ter uma psicóloga para ter esse acompanhamento, porque eu como pai estou sentindo. Imagina o garoto". Após o relato do adolescente, a família procurou a direção da escola, onde recebeu a informação de que o professor teria confirmado o ocorrido. "Inclusive recebi o vídeo constrangedor, por sinal. E aí a gente procurou a Justiça para tomar as medidas cabíveis", completou o pai.
Investigação policial em andamento
A Delegacia Especial dos Crimes contra Vulneráveis Tia Marcelina está investigando o crime de racismo. O advogado Alberto Jorge, representante da família, explicou que parte do inquérito já foi concluída após a escuta do adolescente. "A delegada Rebecca Cordeiro, titular da Delegacia Especial dos Crimes contra os Vulneráveis, concluiu uma parte do inquérito com a escuta do menor. Agora o suspeito será chamado para depor e, depois, o caso será encaminhado à 14ª Vara Criminal. A partir daí começa o processo criminal", afirmou o profissional.
Resposta da instituição de ensino
O Colégio Fantástico emitiu uma nota oficial repudiando todo e qualquer ato de racismo, discriminação ou preconceito. A instituição informou que adotou medidas imediatas, incluindo o afastamento do professor de matemática, que não integra mais o quadro de colaboradores. Além disso, a escola destacou que o Conselho Tutelar de Maceió acompanha o caso de perto e que está à disposição para colaborar com os esclarecimentos e providências necessárias.
O g1 tenta localizar a defesa do professor para obter mais informações sobre o lado do acusado, mas até o momento não houve resposta. O caso segue sob investigação, com a expectativa da família por justiça e apoio psicológico para o adolescente, que enfrenta as consequências de um ato de racismo dentro do ambiente escolar.



