Mulher é presa por agressão e injúria racial contra vizinha umbandista em Americana
Presa por racismo e agressão com madeira em Americana

Polícia investiga caso grave de racismo e intolerância religiosa em Americana

A Polícia Civil de São Paulo está investigando um caso de injúria racial e agressão física que ocorreu na noite de terça-feira, 3 de setembro, no bairro Vila Belvedere, em Americana, interior do estado. Uma mulher de 45 anos foi presa em flagrante após atacar sua vizinha com um pedaço de madeira e proferir ofensas de cunho racista e religioso, conforme relatos da vítima e testemunhas.

Detalhes da agressão e prisão em flagrante

Segundo informações do Tribunal de Justiça de São Paulo, a suspeita foi detida no local do crime pela Polícia Militar, que foi acionada para atender uma ocorrência de briga entre vizinhas. Os policiais chegaram ao local e avistaram a mulher desferindo golpes com um pedaço de madeira contra a vítima, que é adepta da religião Umbanda. A vítima, com ferimentos, foi socorrida e levada ao Hospital Municipal de Americana para atendimento médico.

Os agentes apreenderam o pedaço de madeira utilizado na agressão como prova material. A suspeita apresentava escoriações leves, mas recusou atendimento médico no momento. Ela foi conduzida à delegacia e, após procedimentos legais, foi solta na manhã de quarta-feira, 4 de setembro, devendo responder ao processo em liberdade, conforme determinação judicial.

Relato da vítima: ofensas racistas e agressão física

Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, a vítima relatou com detalhes os momentos que antecederam a violência. Ela contou que a suspeita passou em frente à janela de sua casa imitando um macaco e proferindo xingamentos racistas e misóginos, como "macaca" e "prostituta". A vítima, indignada, saiu até o portão de sua residência, quando foi atacada com socos e puxões de cabelo pela agressora.

"Ela veio para a minha janela com o pai dela, me chamando de biscate, de galinha, de prostituta, de macaca, de macumbeira. Na hora que eu abri o portão, ela veio correndo e me deu socos, chutes", descreveu a mulher. Ela ainda acrescentou que, após reagir em legítima defesa e arranhar a agressora, o pai da suspeita também a ofendeu verbalmente.

O episódio se intensificou quando a suspeita pegou um pedaço de madeira e ameaçou a vítima, dizendo "se ela descer, eu vou terminar de matar ela". A vítima relatou ter sido atingida por quatro golpes: um acertou o portão, outro a cabeça, e um feriu seu braço, fazendo-a cair no chão. "Foi com quatro golpes: um acertou no portão, um na minha cabeça, e um feriu meu braço, e eu caí no chão", completou.

Versão da suspeita: nega racismo e alega legítima defesa

No boletim de ocorrência, a suspeita negou veementemente as acusações de racismo e intolerância religiosa. Ela afirmou aos policiais que não tem qualquer preconceito em relação à religião ou à cor de pele da vítima e negou ter imitado um macaco ou proferido ofensas preconceituosas. Em sua defesa, alegou que agiu em legítima defesa após ser agredida inicialmente pela vizinha.

A mulher relatou que a vítima teria ameaçado pegar uma faca, o que a levou a buscar um pedaço de madeira para se proteger. Ela também mencionou conflitos anteriores, explicando que a vítima se mudou recentemente para um prédio vizinho e costumava fazer barulho em horários de repouso, perturbando sua família, que inclui um pai idoso de 76 anos e um irmão com paralisia cerebral de 35 anos.

"Ela realizava gritarias, ora brigando com o marido, ora brigando com a mãe", disse a suspeita, acrescentando que já havia acionado a Guarda Municipal e enviado vídeos à proprietária do imóvel para reclamar do barulho. Ela afirmou que, após esses incidentes, a vítima passou a hostilizar sua família com palavrões e ameaças, dizendo que "iria pegá-los". A suspeita soube posteriormente que a proprietária pediu à vítima que desocupasse o local.

Testemunha confirma ofensas preconceituosas

Uma amiga da vítima, que presenciou o ocorrido, confirmou aos policiais que a suspeita proferiu ofensas preconceituosas contra a umbandista. Ela relatou que as duas mulheres têm um histórico de desentendimentos e que, durante a briga, a suspeita chegou a dizer "hoje, todo mundo vai para o cemitério". A testemunha também informou que a vítima já havia registrado ocorrências policiais anteriores relacionadas à agressora, indicando uma escalada de conflitos.

Contexto e próximos passos da investigação

O caso está sendo tratado com seriedade pelas autoridades, que investigam os crimes de injúria racial, intolerância religiosa e lesão corporal. A polícia coletou depoimentos, apreendeu a arma do crime e está analisando as versões apresentadas para determinar a responsabilidade legal. A suspeita, agora em liberdade, aguarda o andamento do processo judicial, enquanto a vítima busca apoio médico e psicológico para superar o trauma.

Incidentes como esse destacam a importância do combate ao racismo e à intolerância religiosa no Brasil, reforçando a necessidade de medidas educativas e punitivas para coibir tais comportamentos. A comunidade de Americana tem acompanhado o caso com preocupação, esperando que a justiça seja feita e que sirva de exemplo para prevenir futuras agressões.