Policial penal grávida barrada em curso toma posse após acordo com MP em Roraima
Policial penal grávida barrada em curso toma posse após acordo

Policial penal grávida barrada em curso toma posse após acordo com MP em Roraima

A policial penal Thainá Santos, de 28 anos, finalmente tomou posse após uma jornada marcada por obstáculos devido à sua gravidez. Ela havia sido desligada do curso de formação da Polícia Penal de Roraima quando estava grávida, mas conseguiu retomar o processo após um acordo entre o Ministério Público e a Secretaria de Justiça e Cidadania do estado (Sejuc).

Trajetória de superação e discriminação

Thainá foi aprovada no concurso público em 2020 e iniciou o curso de formação quando estava com seis meses de gestação. Ela já havia passado por todas as etapas teóricas e avaliações preliminares, incluindo prova objetiva, teste de aptidão física, avaliação psicológica, exame toxicológico e investigação social. No entanto, após um mês de curso, foi desligada por decisão administrativa da Sejuc quando completou sete meses de gravidez.

"Meu filho nasceu e eu fui fazer o restante do curso quando ele tinha 9 meses. O combinado era com 3 meses, mas acabou sendo com 9. Fiz o curso em julho de 2023. Ainda estava amamentando. Completei as etapas que não pude fazer grávida", relatou Thainá, mãe de Théo Lucca, hoje com três anos.

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Intervenção do Ministério Público e acordo

Em 2023, a Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher do MP cobrou medidas da Sejuc para reconsiderar o desligamento, argumentando que a exclusão violava a Constituição Federal e legislações de proteção à mulher, que garantem acesso ao trabalho para gestantes. A promotora Lucimara Campaner enfatizou que a gravidez não poderia ser um impedimento para avançar no concurso ou acessar cargo público.

O acordo permitiu que Thainá retomasse o curso nas mesmas condições dos demais candidatos. As etapas das quais ela havia sido barrada eram as práticas, como aulas de tiro e defesa pessoal, que concluiu sozinha após o nascimento do filho.

Reflexão sobre discriminação e futuro

Thainá reflete sobre a necessidade de adaptações para não prejudicar mulheres em situações similares: "Quero que haja garantia para mulheres grávidas. A mulher é punida por ter filho, enquanto o homem pode ter cinco filhos e continua normalmente". Ela espera que sua conquista inspire mudanças: "Espero que seja só a primeira de muitas conquistas. E que o que aconteceu comigo não aconteça com outras mulheres".

Nesta quarta-feira (4), Thainá foi empossada junto com outros 73 novos policiais penais, elevando o quadro efetivo da Polícia Penal de Roraima para 877 servidores. Agora, ela está pronta para atuar em uma das unidades prisionais do estado, encerrando um capítulo de luta contra a discriminação e abrindo caminho para mais inclusão no serviço público.

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