Semulher e FFAC firmam parceria para combater violência de gênero no futebol acreano
Parceria combate violência de gênero no futebol acreano

Parceria entre Semulher e FFAC visa combater violência de gênero no esporte acreano

Em resposta a uma grave denúncia de estupro coletivo envolvendo jogadores do Vasco-AC, ocorrida dentro do alojamento do clube em Rio Branco no mês de fevereiro, a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) e a Federação de Futebol do Acre (FFAC) formalizaram uma parceria estratégica. O objetivo principal é fortalecer o combate à violência de gênero no ambiente esportivo, promovendo ações educativas e de conscientização direcionadas a clubes e atletas de toda a região.

Contexto do caso que motivou a iniciativa

O acordo foi impulsionado pelo caso investigado pela polícia, no qual quatro jogadores do Vasco-AC – Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior – estão presos no Complexo Prisional de Rio Branco, suspeitos de estupro coletivo contra duas mulheres. Os atletas negam as acusações, mas a Justiça manteve as prisões temporárias, com pedidos de liberdade sendo negados recentemente. O episódio, registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) em 14 de fevereiro, gerou ampla repercussão e levou a repúdios de ministérios federais, especialmente após uma homenagem do time aos jogadores presos durante uma partida.

Detalhes da parceria e ações planejadas

Segundo a secretária da Semulher, Márdhia El-Shawwa, a parceria prevê que, a cada semana, duas equipes da secretaria participem de atividades nos clubes, garantindo que todos os 16 times credenciados na federação recebam formação. “Ter um papo direto com eles, o Papo de Homem, de como tratar, de como respeitar as nossas mulheres, a nossa sociedade, para que a gente tenha uma sociedade que respeite as mulheres, que não violente, que não bata e que também não mate”, afirmou El-Shawwa, destacando a importância das rodas de conversa.

O presidente da FFAC, Adem Araújo, reforçou que o compromisso assinado alcançará jogadores de todas as idades, abordando temas cruciais como masculinidades, respeito, prevenção à violência e responsabilidade social. “É uma forma da gente conscientizar os jovens envolvidos no futebol. Então, vamos viabilizar agora a palestra em todos os clubes de adolescentes a adultos, que são jogadores que estão no profissional”, explicou Araújo.

Repercussões e apoio no meio esportivo

Líderes do setor esportivo acreano expressaram apoio à iniciativa. O presidente do clube Santa Cruz, Léo Raches, ressaltou que o futebol tem poder de unir pessoas e que ações conjuntas são fundamentais para a conscientização. “A gente sempre fala que os jogadores são um espelho para torcida e vice-versa. Então, eu creio que uma ação como essa, ela é boa para, vamos dizer, os atores do espetáculo, que são os atletas, mas eles espelham também nas ações de fora de campo, das quatro linhas”, declarou.

O lateral do Santa Cruz, Alex Danilo, complementou, afirmando que os jogadores, como figuras públicas, devem receber esse tipo de orientação. “Então, quando você chega com a instituição, a federação que defende isso, essa importância dos direitos da mulher, de respeitar a mulher como um todo, acho muito importante, principalmente para o próprio respeito delas e o próprio respeito de nós com elas”, disse Danilo.

Investigações em andamento e medidas adicionais

Além da parceria, o caso dos jogadores do Vasco-AC continua sob investigação do Ministério Público do Acre (MP-AC), que analisa possíveis omissões da justiça desportiva estadual. As vítimas relataram medo de retaliação e foram orientadas a registrar a denúncia, com a polícia indicando que os abusos ocorreram após um encontro inicialmente consensual. A Rede Amazônica tentou contato com o técnico do Vasco-AC, Erick Rodrigues, mas não obteve resposta, enquanto o clube emitiu nota afirmando não compactuar com qualquer forma de violência e adotará medidas internas conforme o andamento das investigações.

Com a negativa de habeas corpus para os jogadores, eles permanecem presos, e a parceria entre Semulher e FFAC surge como um passo proativo para transformar o ambiente esportivo em um espaço mais seguro e respeitoso, visando prevenir futuros incidentes e promover uma cultura de igualdade de gênero no futebol acreano.