Agência da ONU para Direitos Humanos opera em 'modo sobrevivência' por falta de recursos
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, fez um alerta grave nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026. Durante apresentação em Genebra para diplomatas, ele revelou que a organização enfrenta uma crise financeira tão severa que opera atualmente em "modo sobrevivência".
Cortes drásticos e redução de presença global
Segundo Türk, a falta de financiamento já impacta diretamente as atividades da agência de forma concreta e preocupante. "Estamos no modo sobrevivência e devemos cumprir nossas missões com limitações", afirmou o alto comissário durante seu apelo por contribuições voluntárias para o ano de 2026.
Os números apresentados são alarmantes:
- Em 2025, a agência cumpriu menos da metade das missões de acompanhamento de direitos humanos em comparação com 2024
- A presença foi reduzida em 17 países diferentes
- As necessidades financeiras para 2026 alcançam a cifra de US$ 400 milhões (aproximadamente R$ 2,09 bilhões)
Consequências graves para a defesa dos direitos humanos
Volker Türk foi enfático ao descrever as consequências dos cortes orçamentários. Segundo ele, as reduções que atingem o Alto Comissariado "dão carta branca aos autores de violações dos direitos humanos". Em um contexto global marcado pelo avanço da desinformação e da censura, a situação se torna ainda mais crítica.
"O órgão fornece informações confiáveis sobre as atrocidades e os avanços em matéria de direitos humanos em um momento no qual a verdade é minada pela desinformação e pela censura", ressaltou Türk, destacando o papel fundamental da agência como fonte verificada de informações em meio a narrativas distorcidas.
Cenário financeiro preocupante e alertas anteriores
A crise não é nova. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já havia alertado na semana anterior sobre um "colapso financeiro iminente" do órgão como um todo. O problema se agrava porque alguns países-membros não cumprem seus compromissos financeiros integralmente ou atrasam pagamentos.
Em 2025, o Alto Comissariado havia solicitado US$ 500 milhões em doações, mas arrecadou apenas cerca da metade desse valor - aproximadamente US$ 262,1 milhões (R$ 1,37 bilhão). Essa lacuna financeira forçou a organização a tomar medidas drásticas como suspensão de contratações e contenção severa de gastos.
Impacto nas operações e conquistas recentes
Apesar das dificuldades, a agência mantém operações significativas. No ano passado, a organização que conta com 1.275 funcionários em 87 países realizou mais de 5.000 missões de monitoramento e prestou apoio direto a 67.000 sobreviventes de tortura e formas contemporâneas de escravidão.
Entre as conquistas destacadas por Türk:
- Libertação de mais de 4.000 pessoas detidas arbitrariamente em escala mundial
- Quase mil libertações a mais do que no ano anterior
- Monitoramento constante de situações de direitos humanos em múltiplas regiões
O alto comissário finalizou seu apelo com um chamado urgente: "Neste período crítico, este valor nos permitirá defender todos os direitos - civis, políticos, sociais, culturais e econômicos - de todas e todos". A situação permanece delicada enquanto a agência busca garantir os recursos necessários para continuar seu trabalho fundamental na proteção global dos direitos humanos.