Mãe brasileira oferece recompensa no Egito para recuperar filho sequestrado pelo pai
Mãe oferece recompensa no Egito para recuperar filho sequestrado

Mãe brasileira oferece recompensa no Egito em busca desesperada por filho sequestrado

A brasileira Karin Rachel Aranha Toledo iniciou uma campanha de recompensa no Egito na tentativa de recuperar seu filho Adam, levado pelo pai sem sua autorização em setembro de 2022. O valor oferecido é de 10 mil libras egípcias, equivalente a aproximadamente R$ 1 mil, que supera o salário mínimo local de 7 mil libras.

Três anos de separação e batalha judicial internacional

Karin, natural de Campinas e ex-moradora de Valinhos (SP), não vê o filho há três anos, mesmo após conquistar a guarda legal do menino através de sentença do Tribunal de Apelações do Cairo em novembro de 2025. A recompensa começou a ser oferecida na sexta-feira (20) após duas tentativas frustradas de localização no país africano.

"Ninguém está aguentando mais tanta negligência. Dos dois lados, daqui e do Brasil também. Ninguém me dá posicionamento de nada. Tudo lento, cansativo, e absurdo, né? Estou esgotada", desabafou a mãe em entrevista.

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Pedido de quebra de sigilo e dificuldades na execução

A defesa de Karin no Brasil solicitou à Justiça Federal de São Paulo a quebra de sigilo telefônico, telemático e de e-mails de Ahmed Tarek Mohamed Faiz Abedelkaleg, pai da criança. O objetivo é permitir o rastreamento por telemetria do homem, mas segundo Karin, a Justiça ainda não decidiu sobre o pedido.

De acordo com o advogado Rafael Paiva, que representa Karin no Brasil, o Egito tem criado dificuldades para cumprir medidas determinadas no processo, incluindo o mandado internacional de prisão expedido pelo Brasil contra Ahmed. "Todas as decisões judiciais — tanto no Brasil quanto no Egito — reconhecem o direito de guarda de Karin. O entrave está na execução prática das medidas pelas autoridades egípcias", explicou Paiva.

Histórico do caso e decisão judicial

O caso começou quando Karin retornou de uma viagem à Europa em setembro de 2022 e encontrou a casa vazia. Seu então marido havia viajado para o Egito com Adam, então com 4 anos, sem aviso prévio ou autorização materna. No Brasil, a Polícia Federal investigou o caso e a Justiça Federal de Campinas determinou prisão preventiva de Ahmed em 2023, mas ele nunca foi localizado no país.

A sentença egípcia que concedeu a guarda a Karin reverteu decisão anterior que havia transferido o menino para a avó paterna sob alegação de que a mãe seria "inapta para cuidar do filho". Os juízes do Tribunal de Apelações do Cairo consideraram que as acusações eram baseadas em "boatos" e sem fundamento, reconhecendo ainda que Karin se converteu ao Islã em julho de 2024, desmontando alegações sobre risco à formação religiosa da criança.

Buscas frustradas e novas estratégias

Após duas tentativas malsucedidas de localizar Adam na casa do pai e da avó paterna, os advogados de Karin apresentaram queixa contra ambos na Justiça egípcia por recusa em entregar a criança à pessoa legalmente autorizada. Segundo especialistas, Ahmed pode estar utilizando linhas e aparelhos registrados em nome de terceiros, o que motivou o pedido ampliado de quebra de sigilo.

Uma seguidora de Karin nas redes sociais se ofereceu para custear a recompensa, demonstrando como o caso tem mobilizado apoio público. A defesa acredita que o pai não deixou o Egito com a criança devido a proibição de viagem em vigor, que exigiria consentimento conjunto dos pais ou ordem judicial.

O texto da sentença egípcia é claro: "A entidade responsável pela implementação deve agir mediante solicitação, e a autoridade competente deve auxiliar na sua execução, inclusive com o uso da força, se solicitado". No entanto, a aplicação prática desta determinação continua sendo o maior desafio para a reunificação familiar.

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