Mãe é absolvida por morte de homem que tentou abusar de sua filha de 11 anos em BH
Mãe absolvida após matar homem que tentou abusar de filha em BH

Mãe é absolvida após matar homem que tentava abusar sexualmente de filha de 11 anos em Belo Horizonte

Erica Pereira da Silveira Vicente, de 42 anos, recebeu absolvição completa nesta terça-feira (24 de março) pelo 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte. Ela respondia pelo homicídio de Everton Amaro da Silva, ocorrido em março de 2025, além de acusações graves de ocultação de cadáver e corrupção de menor. Os jurados decidiram, por maioria expressiva, que a mãe não deveria ser condenada por nenhum dos crimes imputados.

Julgamento intenso e decisão histórica

O julgamento durou o dia inteiro e foi conduzido pela juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti, em sessão que mobilizou grande atenção pública e midiática. A decisão dos jurados encerra um processo judicial que se arrastava há meses e deve resultar na libertação imediata da ré, que estava presa preventivamente desde os eventos. A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais afirmava que o crime havia sido cometido com extrema violência e crueldade.

Segundo a acusação do MP, Everton Amaro da Silva teria sido dopado com clonazepam, esfaqueado múltiplas vezes, agredido brutalmente com um pedaço de madeira e mutilado, incluindo o corte do órgão genital, antes de ter seu corpo incinerado em uma área de mata próxima. O Ministério Público sustentava que o homem ainda estava vivo durante parte das agressões e que um adolescente teria auxiliado ativamente na ocultação dos restos mortais.

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Versão da defesa: legítima defesa da filha

Erica Pereira apresentou uma versão completamente divergente dos fatos durante todo o processo. Ela afirmou que conhecia Everton Amaro da Silva desde a infância e que ele frequentava sua residência regularmente. Duas semanas antes do crime fatal, descobriu com horror que ele enviava mensagens de conteúdo sexual explícito para sua filha de apenas 11 anos.

Na madrugada de 11 de março de 2025, segundo seu depoimento emocionado, acordou abruptamente com os gritos desesperados da menina e encontrou o homem sobre ela, com as calças abaixadas, em claro ato de tentativa de abuso sexual. A mãe relatou que reagiu imediatamente para proteger a criança, golpeando Everton com uma faca que estava próxima.

Posteriormente, com a ajuda de um jovem que entrou na casa ao ouvir o tumulto, ela teria transportado o corpo até uma área de vegetação próxima e ateou fogo. Erica negou veementemente ter dopado a vítima com qualquer substância, afirmando que todos seus atos foram motivados pelo instinto de proteger a integridade da filha.

Tese aceita pelos jurados

A Defensoria Pública de Minas Gerais defendeu arduamente que Erica Pereira agiu exclusivamente para proteger a filha de um abuso sexual em andamento, configurando legítima defesa de terceiro. Esta tese foi plenamente aceita pelos jurados, que rejeitaram todas as acusações do Ministério Público após horas de deliberação.

Os membros do júri consideraram que as ações da mãe, embora extremas, foram uma resposta proporcional à grave ameaça que a criança enfrentava naquele momento. A decisão estabelece um precedente significativo em casos de violência contra menores e reafirma a proteção legal às vítimas de crimes sexuais.

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