Justiça mantém multa de R$ 30 mil à União e Funai por falhas na assistência a indígenas venezuelanos em Roraima
Justiça mantém multa à União e Funai por falhas com indígenas venezuelanos

Justiça Federal mantém multa mensal de R$ 30 mil à União e Funai por descumprimento de medidas para indígenas venezuelanos

A Justiça Federal decidiu, por unanimidade, manter a multa mensal de R$ 30 mil aplicada à União e à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) devido a falhas persistentes na assistência a indígenas venezuelanos no estado de Roraima. A decisão confirma que os órgãos federais continuam descumprindo medidas judiciais determinadas para garantir atendimento adequado aos povos Warao e E'ñepá, que migraram da Venezuela e enfrentam graves vulnerabilidades.

Plano de ação de 2018 nunca saiu do papel

A penalidade foi originalmente estabelecida após a constatação de que um plano de ação criado em 2018 para atender essas comunidades indígenas nunca foi implementado. O documento previa uma série de medidas essenciais, incluindo:

  • Diálogo intercultural para respeitar tradições e costumes
  • Ações educacionais adaptadas às necessidades específicas
  • Acompanhamento contínuo das famílias indígenas
  • Garantia de acesso a serviços básicos de saúde e moradia

Segundo os autos do processo, mesmo após condenação judicial em 2021 e a fixação da multa em 2022, a situação não foi regularizada. Em 2023, recursos apresentados pela Advocacia Geral da União (AGU) e pela Funai já haviam sido negados, e agora o tribunal reafirmou a obrigação de cumprimento imediato das medidas determinadas.

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Falta de assistência gera situações críticas

A decisão judicial aponta que a ausência de assistência adequada tem gerado "situações críticas" para as comunidades indígenas, incluindo tentativas de transferência forçada sem consulta prévia — um direito fundamental garantido internacionalmente aos povos indígenas. Os magistrados destacaram que a justificativa de falta de orçamento apresentada pelos órgãos federais não foi aceita, pois a garantia de direitos básicos a populações em situação de vulnerabilidade deve ser prioridade absoluta, independentemente de limitações financeiras.

Os indígenas Warao e E'ñepá vivem principalmente em abrigos nas cidades de Boa Vista e Pacaraima, onde enfrentam dificuldades relacionadas a moradia digna, acesso a serviços de saúde, educação e adaptação cultural. A crise migratória venezuelana intensificou esses desafios, exigindo respostas urgentes das autoridades brasileiras.

Silêncio das autoridades federais

O g1 procurou a Advocacia Geral da União (AGU), a Casa Civil e a Funai para obter posicionamento sobre a manutenção da multa e as acusações de descumprimento judicial, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. O caso continua em tramitação, com a Justiça exigindo implementação imediata das medidas determinadas há anos.

A decisão reforça a necessidade de políticas públicas eficazes para populações migrantes em situação de vulnerabilidade, especialmente considerando que Roraima tem registrado o maior crescimento populacional do país, impulsionado justamente pela migração venezuelana. A falta de ação coordenada pode agravar ainda mais as condições de vida dessas comunidades tradicionais.

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