Indígenas suspendem bloqueio em Santarém após diálogo com governo sobre decreto de hidrovias
Indígenas suspendem bloqueio em Santarém após negociações

Indígenas suspendem bloqueio em Santarém após avanço em negociações com governo federal

Na madrugada desta quinta-feira, 5 de junho, a rodovia Fernando Guilhon, única via de acesso ao Aeroporto Internacional de Santarém - Maestro Wilson Fonseca, foi liberada após um bloqueio que durou aproximadamente um dia. A interdição havia sido iniciada na tarde de quarta-feira, 4 de junho, por indígenas da região do Tapajós, como uma forma de pressão direta ao governo federal.

Motivações do protesto e exigências dos povos originários

O movimento indígena, representando comunidades do baixo, médio e alto Tapajós, exigia a revogação imediata do decreto 12.600/2025. Este decreto incluiu as Hidrovias dos Rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização, abrindo caminho para processos de privatização e intervenções significativas.

Segundo os manifestantes, o decreto facilita a dragagem do rio Tapajós no trecho entre os municípios de Santarém e Itaituba, uma ação que poderia impactar profundamente o ecossistema local. A licitação para contratação de uma empresa que executaria o serviço já foi realizada pelo governo federal no dia 22 de janeiro, aumentando a urgência das reivindicações.

Direitos indígenas e consulta prévia como pontos centrais

Além da revogação do decreto, os indígenas destacaram a necessidade de o governo federal cumprir integralmente a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Este tratado internacional assegura o direito à consulta livre, prévia e informada antes de qualquer intervenção em territórios tradicionais.

O rio Tapajós é uma fonte vital de vida e alimento para centenas de famílias ribeirinhas e comunidades indígenas, tornando qualquer alteração em seu curso uma questão de sobrevivência cultural e ambiental. A falta de diálogo adequado foi apontada como um dos motivos principais para a escalada do protesto.

Desfecho do bloqueio e situação atual das negociações

De acordo com Lucas Tupinambá, presidente do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA), a decisão de desbloquear a rodovia foi tomada após avanços concretos nas negociações com representantes do governo federal. Uma audiência que durou cerca de 10 horas resultou em promessas de continuidade do diálogo, levando à suspensão temporária do bloqueio.

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT) confirmou que o tráfego na rodovia Fernando Guilhon está completamente liberado e não há mais manifestações na área. No entanto, a ocupação no porto de Santarém, iniciada em 22 de janeiro, permanece ativa e seu encerramento depende diretamente dos resultados da próxima audiência.

Próximos passos e expectativas para o conflito

As negociações entre lideranças indígenas e representantes do governo federal serão retomadas na manhã desta quinta-feira, 5 de junho. O desfecho dessas conversas é aguardado com expectativa, pois determinará não apenas o fim da ocupação no porto, mas também o futuro das políticas públicas relacionadas às hidrovias na região.

Este episódio reforça a importância da consulta prévia e do respeito aos direitos territoriais indígenas, especialmente em projetos de grande impacto ambiental e econômico. A mobilização serve como um alerta para a necessidade de um diálogo mais inclusivo e transparente em decisões que afetam comunidades tradicionais.