Força Nacional tem atuação prorrogada por 90 dias na Terra Indígena Pirititi em Roraima
Força Nacional prorroga atuação em terra indígena de Roraima

Força Nacional tem atuação prorrogada por 90 dias na Terra Indígena Pirititi em Roraima

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) decidiu prorrogar por mais 90 dias a atuação de agentes da Força Nacional na Terra Indígena Pirititi, localizada no município de Rorainópolis, ao Sul de Roraima. A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, dia 9 de março, e tem como objetivo garantir a ordem pública e a segurança na região, que abriga indígenas isolados e enfrenta a presença de madeireiros.

Detalhes da operação e validade da decisão

A prorrogação é válida até o dia 10 de maio, com os agentes atuando em apoio à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A Funai será responsável por fornecer o apoio logístico e a infraestrutura necessária para o trabalho da Força Nacional. Embora o número exato de agentes não tenha sido divulgado, a definição do contingente segue o planejamento do ministério, coordenado pelo ministro Wellington César Lima e Silva, que assinou a portaria já em vigor.

Contexto histórico e vulnerabilidades da região

A Força Nacional atua no território de Pirititi desde novembro de 2022, com o governo federal prorrogando periodicamente sua presença. A última prorrogação havia sido publicada em 16 de julho de 2025. A Terra Indígena Pirititi, com cerca de 40 mil hectares e um perímetro aproximado de 192 km, está localizada imediatamente acima da Reserva Indígena Waimiri Atroari, uma das maiores de Roraima. A área é considerada altamente vulnerável ao desmatamento, devido à atividade de madeireiros, e abriga o grupo indígena Piruichichi (Pirititi) ou Tiquiriá, parentes dos Waimiri-Atroari.

Ações integradas e medidas de proteção

As operações serão realizadas em conjunto com a Polícia Federal e os órgãos de segurança pública de Roraima, visando combater invasões e degradação ambiental. Em maio de 2022, o Ministério Público Federal (MPF) entrou na Justiça com um pedido de tutela provisória de urgência para proteger a reserva, diante de graves ameaças de grileiros, colonos e madeireiros. Cerca de 20 dias depois, a Funai prorrogou uma portaria que restringe a entrada de pessoas não autorizadas, permitindo apenas o acesso de funcionários da fundação.

Características dos indígenas isolados

Durante a demarcação da TI Waimiri-Atroari, acreditava-se que esses indígenas estariam protegidos dentro da área, mas estudos posteriores confirmaram sua presença fora da reserva. Em 2011, foram avistadas maloca e roçado do grupo durante um sobrevoo da equipe da Funai, embora não haja informações precisas sobre a quantidade de indígenas que vivem na área. A presença contínua da Força Nacional busca assegurar a proteção dessas comunidades e do patrimônio ambiental, em uma região crítica para a conservação da biodiversidade e dos direitos indígenas no Brasil.