Ditadura Militar: Famílias Recebem Novas Certidões de Óbito de Parentes Mortos e Desaparecidos
Famílias recebem certidões revisadas de vítimas da ditadura

Finalmente. Após uma espera que se arrastou por décadas — décadas! —, famílias inteiras conseguem fechar um capítulo doloroso de nossa história. E que capítulo.

Imagine carregar por mais de 50 anos não só a dor da perda, mas o peso de uma mentira oficial. É isso que aconteceu com parentes de mortos e desaparecidos durante o regime militar. Agora, a Justiça decidiu reescrever essa história.

Um Ato de Reconhecimento (e de Coragem)

Não foi fácil. A batalha judicial foi longa, mas a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos aprovou a revisão de 26 certidões. Vinte e seis! A causa da morte, que antes era falsa ou simplesmente omitida, agora consta como "consequência de atuação repressiva do Estado brasileiro". Ufa.

É como se o país, mesmo tardiamente, estivesse assumindo sua responsabilidade. E olha, não é pouca coisa.

O Alívio (e a Luta) das Famílias

Para pessoas como Lina Penna Satamini, filha do militar reformado Antonio Penna, a emoção foi indescritível. "É uma sensação de alívio", disse ela, com uma voz que misturava cansaço e vitória. Seu pai foi preso, torturado e morto em 1972. A certidão original? Dizia "causas naturais". Causas naturais, imagina.

E ela não está sozinha. Muitos outros parentes estavam lá, no anexo do Palácio do Planalto, recebendo um documento que, mais do que papel, é um pedaço de verdade.

O Processo: Como Funcionou?

O caminho até aqui foi cheio de trâmites — como quase tudo que envolve a Justiça no Brasil. A revisão depende de um processo que passa pela Comissão, depois pelo Ministério dos Direitos Humanos, e só então segue para a averbação em cartório.

E não para por aí: ainda há 65 processos tramitando. Sessenta e cinco histórias esperando por um final digno.

É um trabalho minucioso, e cada caso aprovado é uma pequena vitória contra o esquecimento.

Por Que Isso Importa?

Pergunta besta, né? Mas é importante dizer: não se trata apenas de burocracia. Ter um documento que diz a verdade sobre como alguém morreu — especialmente quando o Estado é o responsável — muda tudo. Restaura a dignidade da pessoa, dá às famílias o direito de seguir em frente e, de quebra, joga luz sobre um período sombrio que não pode se repetir.

Como bem lembrou a ministra dos Direitos Humanos, Sílvia Almeida, "é dever do Estado reparar". E isso inclui contar a verdade, por mais tarde que ela chegue.

E aí, será que um dia a gente vira uma sociedade que não precisa corrigir seus próprios erros 50 anos depois? Tomara. Mas por enquanto, sigamos corrigindo.