Estudante quilombola é expulsa de aula na UFPA por estar com filho de sete meses no colo
Estudante quilombola expulsa de aula na UFPA com filho no colo

Estudante quilombola é expulsa de aula na UFPA por estar com filho de sete meses no colo

Uma estudante quilombola do curso de Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Pará (UFPA) foi expulsa de sala de aula por uma professora por estar com o filho de sete meses no colo, na segunda-feira (9), em Belém. A mãe universitária saiu da sala chorando após o constrangimento público, que gerou revolta na comunidade acadêmica e levou a protestos.

Constrangimento público e violência simbólica

De acordo com o Centro Acadêmico de Desenvolvimento Rural (Cader), a docente afirmou que "não é da conduta dela dar aula dessa maneira" e determinou, na frente de outros estudantes, que a aluna se retirasse da sala. Ainda segundo a entidade, a estudante questionou se receberia o conteúdo da aula e foi informada de que não haveria reposição. Testemunhas relataram que a aluna começou a chorar e a professora disse para ela "deixar de vitimismo", agravando a situação.

O centro acadêmico de Ciências Sociais classificou o episódio como constrangimento público e violência simbólica contra uma mãe universitária. Além disso, afirmou que nenhuma estudante pode ser punida por exercer a maternidade. A entidade estudantil cobra apuração do caso e medidas institucionais que garantam a permanência de mães na universidade, destacando a necessidade de políticas de inclusão.

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Manifestação estudantil e cobrança de respostas

Na quarta-feira (11), estudantes, lideranças quilombolas e movimentos sociais realizaram uma manifestação pacífica em direção ao Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (INEAF/UFPA) e à Reitoria da universidade. O grupo pediu esclarecimentos e responsabilização pelo ocorrido, exigindo que a instituição tome providências para evitar casos semelhantes no futuro.

Os manifestantes carregavam cartazes e gritavam palavras de ordem, reforçando a luta por direitos das mães no ambiente acadêmico. A mobilização destacou a importância de combater discriminações e promover um espaço educacional mais acolhedor e respeitoso.

Posicionamento da UFPA

Em nota, a UFPA informou que a direção do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares e a Faculdade de Desenvolvimento Rural acolheram a manifestação estudantil realizada no dia 11 de fevereiro. A universidade afirmou ainda que os procedimentos institucionais cabíveis estão sendo providenciados desde o dia 9 de fevereiro, sem detalhar quais medidas específicas estão sendo tomadas.

A instituição reforçou que "mantém ambiente de diálogo aberto com a comunidade acadêmica e de respeito aos povos tradicionais", mas não comentou sobre contato com a professora envolvida. O g1 tentou contato com a docente, mas ainda não obteve resposta até a publicação da reportagem, deixando questões em aberto sobre a conduta profissional.

Este caso levanta debates sobre acessibilidade e apoio a estudantes mães no ensino superior, especialmente em contextos de populações tradicionais como quilombolas. A pressão por mudanças institucionais continua, com expectativa de que a UFPA implemente ações concretas para garantir a inclusão e o respeito a todos os alunos.

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